Purga no Dragão: Xi Jinping e a “caça às bruxas” no topo do exército Chinês

O Destaque — Um novo caso de corrupção envolvendo altos quadros do Exército de Libertação Popular está a provocar abalos na liderança militar da China e a levantar dúvidas sobre o nível de confiança do Presidente Xi Jinping nos seus principais generais.

As autoridades chinesas confirmaram a abertura de investigações contra dois membros influentes do alto comando militar, afastados dos seus cargos por alegadas “graves violações disciplinares”, termo frequentemente utilizado pelo regime para se referir a práticas de corrupção. Entre os visados está o general Zhang Youxia, vice-presidente da Comissão Militar Central e considerado, até recentemente, um dos aliados mais próximos de Xi Jinping no seio das forças armadas.

Outro oficial de elevada patente, Liu Zhenli, também está sob investigação.

A Comissão Militar Central é o órgão máximo de comando das forças armadas chinesas e está sob a presidência directa de Xi Jinping, cargo que, na prática, lhe confere o controlo efectivo do poder militar do país.

Na hierarquia política chinesa, esta função é vista como mais decisiva do que a própria presidência da República.

O afastamento de Zhang Youxia causou particular surpresa, dado o seu percurso singular. Único membro da actual liderança militar com experiência directa de combate, o general iniciou a carreira como soldado raso no final da década de 1960, participou na guerra fronteiriça com o Vietname e ascendeu gradualmente até ocupar os mais altos postos do exército.

A sua promoção ao Politburo do Partido Comunista, já numa idade avançada, foi interpretada como um sinal de confiança pessoal por parte de Xi Jinping.

Analistas ouvidos por meios internacionais consideram que o caso revela uma mudança no equilíbrio interno das forças armadas.

Para alguns especialistas, a campanha anticorrupção, há anos utilizada como instrumento de disciplina política, parece agora concentrar-se nos militares, num esforço de Xi para consolidar o controlo e eliminar potenciais focos de lealdade alternativa dentro do aparelho de defesa.

Relatórios da imprensa estatal chinesa acusam os generais investigados de abuso de poder e sublinham que nenhuma patente ou distinção oferece imunidade perante a lei.

A linguagem utilizada sugere preocupação com a formação de redes de influência no interior das forças armadas, vistas como uma ameaça à autoridade central.

Fonte. DW

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