O Destaque — Após cerca de 40 anos no comando do Uganda, o governo do presidente Yoweri Museveni continua a suscitar debates sobre a forte presença de membros da sua família e de familiares próximos em cargos estratégicos do Estado. O fenómeno, frequentemente descrito por analistas como um traço marcante da actual estrutura de poder no país, revela como relações familiares se entrelaçam com funções governativas, militares e administrativas.
A primeira-dama, Janet Museveni, ocupa o cargo de Ministra da Educação, sendo uma das figuras mais visíveis do Executivo.
No sector da defesa, o destaque vai para o filho do presidente, General Muhoozi Kainerugaba, actual Chefe das Forças de Defesa, enquanto outros familiares também exercem funções relevantes nas Forças Armadas e nos serviços de segurança.
Além dos filhos, irmãos do presidente Museveni desempenham ou já desempenharam papéis de peso na governação, como Gen. Salim Saleh, conselheiro presidencial, e Bright Rwamirama, ministro ligado à indústria animal. Há ainda familiares por afinidade , cunhados, sogros e primos , presentes em ministérios, conselhos presidenciais, órgãos de inteligência e entidades estatais.
Segundo observadores políticos, essa concentração de responsabilidades em círculos familiares é vista pelo governo como um factor de estabilidade e confiança institucional, sobretudo num país que passou por longos períodos de conflito após a independência. Críticos, por outro lado, defendem que o modelo levanta questões sobre renovação política, meritocracia e separação entre interesses familiares e o funcionamento do Estado.
Apesar das opiniões divergentes, é inegável que a administração Museveni moldou profundamente o sistema político ugandês ao longo de quatro décadas. A presença contínua de familiares em cargos-chave reflete uma governação marcada pela continuidade, pela centralização do poder e por uma forte ligação entre o Estado e o círculo pessoal do presidente, um elemento que continua a definir o debate político no país.
