O Destaque — A Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau defende a realização de um novo recenseamento eleitoral de raiz, considerando que os actuais dados do caderno eleitoral já não reflectem a realidade demográfica do país e comprometem a credibilidade dos processos eleitorais.
De acordo com o presidente interino da CNE, Mpabi Cabi, os números de eleitores em vigor desde 2023 estão desatualizados e incluem cidadãos já falecidos ou que emigraram, mas que continuam a constar nos registos oficiais. Para a instituição, esta distorção tem impacto directo nos níveis de participação eleitoral, contribuindo para taxas elevadas de abstenção verificadas em sucessivos escrutínios.
A posição foi tornada pública esta quinta -feira, após uma audiência mantida entre a direcção da CNE e o Presidente da República de Transição, Horta Inta. No encontro, estiveram em análise as condições técnicas, logísticas e institucionais necessárias para a realização das próximas eleições gerais no país.
Mpabi Cabi sublinhou que apenas um recenseamento de raiz poderá assegurar maior transparência, rigor e confiança no sistema eleitoral, defendendo que a atualização profunda dos dados é essencial para garantir eleições justas e representativas.
Além das questões relacionadas com o registo eleitoral, o presidente interino da CNE alertou para as dificuldades operacionais enfrentadas pela instituição. Entre os principais constrangimentos estão a escassez de recursos financeiros, falhas na distribuição de urnas em algumas regiões, a insuficiência de servidores e a falta de equipamentos informáticos básicos, como computadores, fatores que condicionam o normal funcionamento da Comissão.
A CNE considera que a superação destes desafios é determinante para o fortalecimento da democracia e para a realização de eleições credíveis na Guiné-Bissau.
