Governo acelera “revolução digital” e alerta: guerra no Médio Oriente pode atingir a economia de Moçambique

Maputo (O Destaque) — O Governo de Moçambique aprovou um conjunto de medidas consideradas estratégicas para modernizar o Estado e preparar o país para os desafios tecnológicos e económicos globais. As decisões foram tomadas durante a sétima sessão ordinária do Conselho de Ministros, realizada a 10 de março.

Entre as deliberações mais marcantes está a criação da Agência de Transformação Digital e Inovação, um instituto público que substituirá o antigo Instituto Nacional do Governo Electrónico. O novo organismo terá a missão de liderar a digitalização da administração pública, integrar bases de dados do Estado e simplificar o acesso dos cidadãos aos serviços públicos.

Segundo o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, a nova agência pretende acabar com o modelo actual em que cada instituição pública funciona de forma isolada, com sistemas próprios e pouco comunicantes. A aposta passa pela interoperabilidade das plataformas, permitindo que os dados do cidadão circulem entre instituições, reduzindo burocracia e custos operacionais.

“Com este modelo, o cidadão deixará de correr de instituição em instituição com documentos. A ideia é que tudo esteja concentrado numa única porta digital, o Portal do Cidadão”, explicou.

Inteligência Artificial entra na agenda do Governo

Na mesma sessão, o Executivo aprovou também a criação da Comissão Nacional para a Inteligência Artificial, um órgão consultivo que irá assessorar o Governo em matérias de inovação tecnológica, segurança de informação e desenvolvimento científico ligado à inteligência artificial.

Além disso, foi criada uma Comissão Técnica Multissetorial encarregue de coordenar a implementação da transformação digital no aparelho do Estado.

Governo prepara nova parceria para scanners de segurança

Outro ponto analisado foi a autorização para negociar uma parceria público-privada com a empresa Kudumba Investments para a utilização de equipamentos de inspeção não intrusiva em mercadorias, bagagens e passageiros, tecnologia usada em portos, aeroportos e fronteiras.

O Executivo justificou o ajuste direto com base na especialização da empresa e no nível de satisfação com os serviços já prestados anteriormente.

Mais de 17 mil funcionários públicos aguardam aposentação

O Governo reconheceu ainda que mais de 17 mil funcionários do Estado já deveriam estar aposentados, mas continuam em funções devido a entraves administrativos. Para resolver o problema, será implementado um sistema automatizado que permitirá acelerar os processos de reforma.

De acordo com o porta-voz, os recursos para pagamento das pensões estão assegurados através das contribuições feitas ao sistema gerido pelo Instituto Nacional de Previdência Social.

Cheias deixam apenas 19 centros de acomodação activos

O Conselho de Ministros analisou igualmente o impacto da época chuvosa e ciclónica. Dos mais de 140 centros de acomodação criados para acolher famílias afectadas pelas cheias, apenas 19 continuam activos nas províncias de Maputo e Zambézia, após o regresso gradual das populações às suas residências.

O Governo trabalha ainda num plano de reconstrução estimado em mais de 650 milhões de dólares para reparar infra-estruturas destruídas pelas inundações.

Guerra no Médio Oriente preocupa Governo

Outro tema que dominou a reunião foi o impacto do conflito no Médio Oriente na economia nacional. Autoridades alertam que cerca de 80% do combustível importado por Moçambique passa por rotas ligadas ao Estreito de Ormuz, uma das regiões mais sensíveis do comércio global de petróleo.

Caso o preço do barril ultrapasse 120 dólares, os custos de produção e transporte poderão subir significativamente, afectando pequenas e médias empresas e abrandando a recuperação económica.

Apesar disso, o Governo garante que o país dispõe actualmente de mais de 75 mil toneladas de combustíveis em stock, suficientes para assegurar o consumo interno nos próximos meses, enquanto mecanismos como o fundo de estabilização de preços poderão ser acionados caso a crise se intensifique.

As autoridades afirmam estar a acompanhar a evolução do conflito com atenção, deixando em aberto a possibilidade de novas medidas para proteger a economia nacional.

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