Um dos homens mais procurados pela justiça moçambicana foi hoje extraditado de Lisboa para Maputo

Maputo (O Destaque) — As autoridades moçambicanas conseguiram concretizar a extradição de Abdul Gafur Gulam, um dos principais visados na investigação criminal conhecida como Operação Stop Branqueamento de Capitais. O arguido, que se encontrava foragido em Portugal, aterrou no Aeroporto Internacional de Mavalane, em Maputo, na manhã desta quarta-feira (25).

A sua captura em Portugal e entrega ao Estado moçambicano resultaram de um mandado internacional e do alerta vermelho emitido pela Interpol, que culminou na decisão do Tribunal da Relação de Lisboa em autorizar a sua extradição para que responda perante a justiça nacional.

Abdul Gafur Gulam é apontado como uma figura central num esquema financeiro complexo que, entre os anos de 2019 e 2022, terá lesado o Estado moçambicano em cerca de 140 milhões de dólares americanos.

De acordo com as investigações do Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional (GCCCOT), o empresário teria criado oito empresas de fachada, utilizando nomes de terceiras pessoas para abrir contas bancárias em diversos bancos comerciais.

Através destas contas, dizem fontes da justiça, eram movimentadas elevadas somas de dinheiro em numerário e cheques, simulando uma actividade comercial que, na verdade, nunca existiu de forma física ou operacional no país.

O esquema funcionava através da transferência destes valores para vários países, como China, Turquia, Portugal e Emirados Árabes Unidos, sob o pretexto de pagamento de mercadorias. Contudo, as autoridades apuraram que esses produtos nunca deram entrada em território aduaneiro moçambicano.

As autoridades dizem ainda, que para dar uma aparência de legalidade a estas operações e enganar o sistema financeiro, o arguido contava com o auxílio de despachantes aduaneiros e funcionários bancários para falsificar facturas, documentos das alfândegas e termos de compromisso bancário.

Esta prática criminosa, que envolve os crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal e associação criminosa, não só privou o Estado da arrecadação de impostos devidos, como também colocou em risco a estabilidade da economia e do sistema financeiro de Moçambique.

Ora, com o arguido agora em solo nacional, o processo segue os trâmites legais, estando agendado para amanhã, 26 de Março, o primeiro interrogatório judicial.

Perante um Juiz de Instrução Criminal, Abdul Gafur Gulam será ouvido para a validação da sua detenção e a aplicação das medidas de coacção adequadas enquanto aguarda o desenrolar do julgamento deste caso que envolve outras dezenas de arguidos e sociedades comerciais.

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