Nampula (O Destaque) — O que começou como uma reivindicação laboral transformou-se em uma crise humanitária às portas do Município de Nacala.
Há dez dias, trabalhadores da autarquia trocam o conforto de suas casas pelas calçadas frias da cidade, exigindo a regularização de três meses de salários em atraso. Sem respostas concretas, o grupo enfrenta noites de exposição severa ao frio e à chuva, em um cenário de crescente precariedade.
A determinação dos manifestantes tem cobrado um preço alto. Relatos colhidos no local confirmam que a saúde dos trabalhadores está debilitada: casos de malária já foram diagnosticados e diversos funcionários apresentam sintomas de gripes e infecções respiratórias devido à falta de abrigo e higiene adequada.
Apesar do risco iminente à saúde pública, o sentimento de injustiça parece ser o combustível que os mantém no local. “Não vamos recuar até que o valor devido caia nas nossas contas”, afirmou um dos líderes do movimento.
Desde o último pronunciamento oficial, realizado no domingo pelo Edil de Nacala, Momade Faruk Nuro, a comunicação entre o governo municipal e os funcionários foi interrompida. Nas negociações é visto pelos grevistas como um sinal de desprezo e falta de sensibilidade social.
“Já passamos por atrasos em mandatos anteriores, mas nunca fomos tratados com tamanha indiferença. Sentimo-nos invisíveis para quem deveria nos liderar”, desabafou um trabalhador para Radio Watana
