Nuvunga não recua após condenação do caso “comeu ou não comeu” e promete continuar “a luta pela justiça”

Maputo (O Destaque) – O activista social Adriano Nuvunga reagiu com firmeza à decisão judicial que o condenou ao pagamento de uma indemnização de um milhão de meticais ao presidente do Partido Podemos, Albino Forquilha, garantindo que a sentença não alterará o seu compromisso com as causas que defende e anunciando que irá recorrer da decisão.

Ao pronunciar-se sobre o caso, Nuvunga afirmou que continua convicto das posições que assumiu e que, perante as mesmas circunstâncias, voltaria a agir da mesma forma.

Não mudou absolutamente nada. Se fosse aquele dia, faria exactamente o que fiz e com mais perícia”, afirmou.

O activista reiterou igualmente as suas críticas ao processo eleitoral de 2024, que considera marcado por irregularidades, sustentando que o processo que resultou na sua condenação teve motivações políticas.

Esse julgamento foi político. Julgamento político é promoção da injustiça e continuação da injustiça que todos os dias agrava o sofrimento da população”, declarou.

Apesar da condenação, Nuvunga garantiu que continuará a sua actividade cívica e política, afirmando que não abandonará as causas pelas quais tem lutado ao longo dos anos.

A luta continua. O meu lugar na vida é acordar todos os dias e ir à luta pela justiça para este povo. É isso que me dá força”, concluiu.

Do outro lado da disputa, Albino Forquilha manifestou satisfação com a decisão do tribunal, embora considere que a indemnização aplicada ficou aquém dos danos que diz ter sofrido na sua reputação.

Vocês sabem como o nome do Forquilha foi falado neste país, negativamente, até na região. Custou-me construir a minha honra e não pode alguém, de forma tão barata, tentar destruí-la”, afirmou.

O líder do Podemos também comentou a campanha de solidariedade criada para apoiar Adriano Nuvunga no pagamento da indemnização, rejeitando a ideia de que essa mobilização represente a vontade popular.

Não acredito que seja o povo. Parece-me mais um grupo organizado a apoiar a contraparte. Uma dúzia de pessoas não representa o povo”, declarou.

Forquilha acrescentou que os fundamentos legais utilizados pelo tribunal representam melhor a vontade colectiva da sociedade do que manifestações isoladas nas redes sociais.

Dirigindo-se directamente a Nuvunga, o presidente do Podemos defendeu que o activista deve retirar ensinamentos do processo.

Aquilo que você fez está a ser considerado aqui como uma mentira. Aprenda com isso. Reeduque-se. Continue a denunciar, continue a fazer o seu trabalho, mas faça-o com responsabilidade. Se confia numa situação, apresente a queixa, deixe que investiguem e depois fale”, declarou.

Com o recurso já anunciado por Adriano Nuvunga, o caso está longe de terminar e promete continuar a alimentar o debate público sobre justiça, participação cívica e liberdade de expressão no país.

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