“Não foi a xenofobia que derrotou os bafana-bafana, foram os erros em campo”, diz Alberto Maduela analista desportivo

Maputo (O Destaque) – A derrota da África do Sul por 2-0 diante do México, na estreia dos Bafana-Bafana no Mundial, continua a gerar debates entre adeptos africanos, sobretudo após muitos observadores apontarem a alegada falta de apoio dos africanos à selecção sul-africana devido aos recorrentes episódios de xenofobia registados naquele país.

Entretanto, para o analista desportivo Alberto Maduela, a explicação para o desaire sul-africano está longe das questões políticas ou sociais. Segundo defendeu em entrevista ao Destaque, a derrota teve origem principalmente em fatores técnicos, táticos e nos erros cometidos pela própria equipa durante os 90 minutos.

Mais do que os ataques xenófobos ou as tensões políticas, penso que o que pesou foi a diferença de qualidade entre as equipas e o factor casa. O México jogava diante de cerca de 80 mil adeptos, num ambiente altamente favorável e com ambições superiores às da África do Sul”, afirmou.

Na sua análise, Maduela considera que os sul-africanos encontraram um adversário mais preparado e acabaram por facilitar a tarefa dos mexicanos através de falhas que classificou como primárias para uma competição daquela dimensão.

O primeiro golo nasce de um erro infantil que não pode acontecer naquele nível. Depois vieram os cartões vermelhos que acabaram por sentenciar o encontro. O segundo cartão resulta de uma agressão e revela alguma infantilidade por parte da equipa sul-africana”, observou.

Para o comentador, o México limitou-se a aproveitar as fragilidades do adversário e venceu com mérito. “A África do Sul perdeu bem e o México não tem culpa dos erros cometidos pelos sul-africanos”, acrescentou.

Questionado sobre as possibilidades das seleções africanas na competição, Maduela mostrou-se moderadamente optimista, destacando particularmente Marrocos e Senegal como os representantes africanos com maiores condições para protagonizar campanhas de destaque.

Como africano, dou algum crédito ao Marrocos e ao Senegal. São equipas que podem fazer-nos acreditar numa presença nas fases mais avançadas da prova. Chegar às meias-finais ou até à final é um caminho longo, mas são selecções que possuem qualidade para representar bem o continente”, defendeu.

Sobre a ideia de que um maior apoio dos adeptos africanos poderia ajudar os Bafana-Bafana a recuperar nos próximos jogos, o analista considera que a questão principal não passa pela falta de solidariedade continental.

Não é uma questão de apoiar ou não. O essencial é a capacidade competitiva da equipa. A África do Sul tem alguns jogadores com qualidade, mas não possui o nível de outras seleções que entram nesta competição com ambições mais elevadas. É uma equipa que procura ultrapassar a fase inicial, enquanto os verdadeiros candidatos ao título começam a mostrar a sua força mais adiante”, explicou.

Apesar do arranque negativo da selecção sul-africana, Alberto Maduela acredita que o Mundial ainda reserva muitas emoções. Segundo afirmou, a competição, que reúne dezenas de selecções e será disputada em várias cidades anfitriãs, promete proporcionar momentos memoráveis aos amantes do futebol.

Está aberto o mês do futebol. Esperamos que as seleções africanas ainda consigam dar alegrias ao continente e mostrar o seu valor no maior palco do futebol mundial”, concluiu.

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