Maputo (O Destaque) – O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, apelou à calma e ao respeito pela lei na véspera dos protestos marcados para esta terça-feira, 30 de Junho, contra a imigração ilegal. Numa comunicação à nação, o Chefe de Estado Sul Africano sublinhou que o direito de manifestação é legítimo, mas deve ser exercido de forma pacífica e em conformidade com a Constituição.
Ramaphosa reconheceu que existem preocupações reais da população relacionadas com a imigração ilegal, a gestão das fronteiras, a pressão sobre os serviços públicos e a actuação de redes criminosas que exploram o sistema migratório. No entanto, advertiu que nenhuma dessas preocupações justifica actos de violência, intimidação ou justiça pelas próprias mãos.
O Presidente afirmou ainda que o Governo continua a implementar reformas para reforçar o controlo das fronteiras, melhorar os sistemas de asilo e vistos e combater a corrupção ligada à imigração, reiterando que a fiscalização migratória é competência exclusiva das autoridades do Estado.
Em entrevista ao O Destaque, o jornalista e analista Gustavo Mavie considerou que a imigração é um fenómeno que ocorre em praticamente todos os países e não deve ser tratada como um problema exclusivo da África do Sul.
“A imigração é um fenómeno natural, normal e universal. Não é uma coisa que se pode combater apenas com discursos ou hostilidade contra os estrangeiros”, disse Gustavo Mavie.
Segundo o analista, os próprios sul-africanos também emigram para outros países em busca de melhores oportunidades, tal como cidadãos de outras nações procuram a África do Sul para trabalhar, investir ou desenvolver actividades económicas.
Mavie defendeu que o actual movimento contra imigrantes africanos é impulsionado por grupos extremistas que responsabilizam os estrangeiros por problemas internos do país, uma visão que considera equivocada.
O jornalista mostrou-se igualmente crítico em relação ao apoio manifestado pelo ex-Presidente Jacob Zuma a sectores que defendem a expulsão de imigrantes africanos.
“É muito triste. Jacob Zuma conhece a história da luta contra o apartheid e sabe que muitos países africanos acolheram sul-africanos durante esse período. Não devia apoiar um movimento contra outros africanos”, afirmou Gustavo Mavie.
Para o analista, a solução passa por explicar à população as verdadeiras causas da imigração e promover políticas que enfrentem os desafios económicos e sociais, em vez de alimentar discursos de exclusão.
Gustavo Mavie concluiu defendendo que a violência nunca será o caminho para resolver as preocupações relacionadas com a imigração, apelando ao diálogo, ao respeito pela dignidade humana e ao cumprimento da lei.
