Maputo (O Destaque) – Chimoio acolhe a 11.ª Conferência Nacional de Quadros da FRELIMO, num encontro que marca o regresso deste tipo de reunião após um longo período de “jejum” e que coloca sobre a mesa desafios ligados à coesão partidária, governação, economia e ligação com as bases.
Para o jurista, empresário e simpatizante da FRELIMO Roberto Aleluia, a conferência deve ir além dos discursos e produzir decisões concretas. Na sua perspectiva, os quadros devem sair do encontro com um diagnóstico claro dos problemas do país, unidade na resposta e um plano de trabalho capaz de produzir resultados.
“Chega de reunião para foto. Precisamos de reunião para produzir.”
Aleluia entende que o momento exige uma maior aproximação entre o partido e as comunidades, defendendo que os problemas sentidos diariamente pelos cidadãos, como acesso à água, estradas, emprego para a juventude, educação, saúde e segurança, devem estar no centro das discussões.
O jurista considera igualmente fundamental que os quadros regressem às bases com mensagens claras e soluções concretas, reforçando a confiança da população e a capacidade de mobilização das estruturas partidárias.
Na dimensão político-partidária, defende ainda o reforço da coesão e da disciplina, com uma orientação comum para os quadros e estruturas da FRELIMO.
“Temos que sair daqui mais unidos, com uma e única voz e com as linhas-mestras bem definidas para levarmos a mensagem do partido às bases”, afirmou.
Já o jurista Elísio Frank Xavier de Sousa, deputado da FRELIMO pelo círculo eleitoral da Zambézia, considera que a conferência deve ser um momento de reflexão sobre o presente e o futuro do partido, sobretudo sobre a sua capacidade de responder às aspirações dos moçambicanos.
Para Sousa, a história da FRELIMO representa uma responsabilidade importante, mas não deve substituir a necessidade de renovação.
O deputado defende uma conferência “franca, aberta e orientada para resultados”, capaz de fortalecer a união interna e, ao mesmo tempo, aprofundar a ligação com a sociedade.
Sobre a independência económica, Sousa apontou os recursos naturais como uma das ferramentas que podem ajudar Moçambique a reduzir a sua dependência externa. Contudo, alertou que possuir gás, minerais, terras férteis ou outros recursos não significa, por si só, gerar riqueza para a população.
Na sua leitura, o verdadeiro desafio está em transformar esses recursos em industrialização, emprego, receitas para o Estado, infra-estruturas, educação, saúde e oportunidades para os jovens e para o empresariado nacional.
O deputado defendeu ainda uma maior abertura do partido à sociedade, sustentando que a FRELIMO deve ouvir não apenas as suas estruturas internas, mas também jovens, mulheres, organizações da sociedade civil, confissões religiosas, academia, empresários e comunidades.
“Quanto mais a FRELIMO ouvir, para além das suas próprias estruturas, mais capacidade terá de compreender as transformações da sociedade e de governar melhor”, afirmou.
Assim, depois de um longo “jejum” de conferências nacionais de quadros, o encontro de Chimoio surge como uma oportunidade para a FRELIMO avaliar o seu percurso, ouvir diferentes sensibilidades e transformar as decisões partidárias em acções com impacto na vida dos cidadãos.
