Maputo (O Destaque/ cortesia) – A campanha para as eleições presidenciais de 2027 começa na Nigéria num ambiente marcado pelo aumento do custo de vida, insegurança e divisão entre as principais forças da oposição, colocando o Presidente Bola Tinubu perante um dos maiores testes políticos desde que assumiu o poder.
As reformas económicas implementadas pelo Governo desde 2023, incluindo a retirada do subsídio aos combustíveis e mudanças no sistema cambial, são apresentadas pelas autoridades como medidas necessárias para recuperar a economia, atrair investimentos e melhorar as finanças públicas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reconhece avanços na estabilidade macroeconómica, mas alerta que as condições de vida continuam difíceis para muitos nigerianos.
É justamente no quotidiano que os efeitos das reformas são mais sentidos. Em Ilorin, no centro-norte do país, Shukurat Oyedele, de 43 anos, mantém aberta a sua pequena loja de produtos plásticos, apesar da redução do número de clientes.
Segundo a comerciante, um balde de 21 litros que custava cerca de 1.500 nairas há dois anos passou para aproximadamente 3.200 nairas. A subida dos preços obrigou muitas famílias a adiar compras ou optar por quantidades menores.
“Só continuo a abrir a loja todos os dias para não fechar completamente. O mercado já não é como era”, contou Oyedele.
O cenário coloca Tinubu perante um dilema: convencer os eleitores de que os sacrifícios actuais resultarão em melhores condições de vida no futuro. Para a analista Sekinat Ojeniyi, da Africa Practice, o desafio passa por apresentar aos nigerianos uma razão credível para continuarem a esperar pelos benefícios prometidos pelas reformas.
A diferença entre os indicadores económicos e a realidade das famílias poderá tornar-se um dos principais temas da campanha. Enquanto o Governo aponta para sinais de recuperação, muitos cidadãos avaliam a economia pelo preço dos alimentos, dos transportes e dos produtos básicos.

A insegurança é outro factor que pesa sobre a corrida eleitoral. Sequestros, assaltos, conflitos entre agricultores e pastores e ataques de grupos armados continuam a preocupar várias regiões do país.
Anne Ochayi, uma advogada de 31 anos residente em Makurdi, diz viver com receio de viajar pela região. Para ela, a persistência da insegurança poderá influenciar directamente a decisão nas urnas.
Apesar da insatisfação, a oposição enfrenta dificuldades para transformar o descontentamento popular numa alternativa eleitoral unificada. O antigo vice-presidente Atiku Abubakar e o antigo governador de Anambra, Peter Obi, continuam entre os principais nomes que procuram desafiar Tinubu, mas as tentativas de apresentar uma candidatura única da oposição ainda não produziram resultados.
Analistas consideram que essa fragmentação pode favorecer o actual Presidente. O partido governamental, All Progressives Congress (APC), mantém uma forte estrutura política e capacidade de mobilização em diferentes estados do país.
Assim, a eleição de 2027 poderá não ser apenas um julgamento sobre o desempenho de Tinubu, mas também sobre a capacidade da oposição de apresentar uma alternativa capaz de reunir os eleitores insatisfeitos.
Para cidadãos como Oyedele e Thomas Eneji, motorista de transporte por aplicativo em Abuja, a escolha será simples: avaliar se a vida melhorou.
Eneji diz que pretende votar, embora manifeste preocupação com a capacidade do voto de produzir mudanças. O aumento dos custos dos combustíveis, afirma, tornou mais difícil garantir rendimento suficiente para sobreviver.
