Maputo (O Destaque) – As declarações do Presidente da FRELIMO, Daniel Francisco Chapo, de que no partido não há espaço para corruptos, traficantes, ladrões e “lambe-botas” continuam a gerar reacções dentro e fora da formação política.
Para o analista Roberto Aleluia, os pronunciamentos de Chapo representam, por um lado, um sinal de maturidade partidária e, por outro, colocam a FRELIMO perante o desafio de transformar o discurso em medidas concretas.
Aleluia considera que a referência aos “frutos podres” e a promessa de “abanar a árvore” revelam uma vontade política de colocar os interesses do povo acima de interesses individuais.
“Chamar de ‘frutos podres’ e prometer abanar a árvore mostra vontade política de colocar o interesse do povo acima de interesses pessoais”, entende o analista.
Na sua leitura, a posição assumida por Chapo responde também a uma exigência que vem sendo colocada pela sociedade: tolerância zero à corrupção.
Entretanto, Roberto Aleluia deixa uma questão que considera determinante para medir a eficácia das declarações: quem vai cair quando a árvore for abanada?
É justamente nesse ponto que, segundo o analista, estará o verdadeiro teste à nova postura anunciada pela liderança da FRELIMO.
“O discurso já foi dado. O povo vai avaliar pelos actos: quem vai cair quando a árvore for abanada?”, questiona.
Sobre as intervenções do camarada Tivane, que também defendeu maior transparência, criticou a corrupção e a arrogância dentro do partido e apelou à entrada de novos quadros, Aleluia considera que se trata de uma intervenção “oportuna” e reveladora de espaço para a autocrítica.
O analista entende ainda que a renovação defendida por Tivane acompanha a necessidade de combinar a experiência dos mais velhos com a energia da juventude.
“A FRELIMO sempre optou por liberdades individuais. O que o Doutor Tivane disse não é novidade alguma”, acrescenta Roberto Aleluia.
Para o analista, tanto as declarações de Chapo como as de Tivane apontam para uma questão central: a renovação interna precisa ser acompanhada por resultados concretos.
E é precisamente na passagem das palavras para os actos que, na sua perspectiva, esta poderá ser uma nova etapa para o partido.
