Inhambane (O Destaque) – Um peixe muitas vezes rejeitado pela sua aparência está a ganhar uma nova oportunidade no mercado moçambicano. Trata-se do bagre, popularmente conhecido como “peixe-barba”, que está a ser transformado em filé por Onélio Américo Lineco, estudante finalista do curso de Engenharia de Aquacultura.
Natural de Inhambane e residente em Quissico, distrito de Zavala, Onélio conta que a ideia surgiu durante a sua formação em Engenharia de Aquacultura, quando teve contacto com experiências desenvolvidas por colegas em algumas comunidades.
Segundo o jovem, algumas pessoas demonstravam resistência ao consumo do peixe devido à sua aparência. Foi neste contexto que começou a pensar numa forma de apresentar o produto de maneira diferente e mais atractiva aos consumidores.
A oportunidade ganhou força durante o quarto ano da formação, no âmbito da especialidade de formulação de ração. Na procura por uma fonte de proteína de origem animal para a produção de ração destinada aos peixes, surgiu a necessidade de utilizar o bagre.
A partir dessa experiência, Onélio aprendeu a filetar o peixe, aproveitando uma parte para o consumo humano e outra para a produção de ração.
“Depois de ter aprendido, pude perceber que podia fazer o filé de bagre para aquelas pessoas que não gostam do próprio bagre devido à sua aparência”, explicou ao Jornal O Destaque.

A aposta no filé começou de forma experimental, envolvendo colegas, membros da comunidade e pessoas próximas.
Consumidores que inicialmente recusavam o peixe devido à sua aparência passaram a demonstrar interesse depois de o encontrarem transformado em filé, tendo alguns chegado a fazer encomendas.
Para Onélio, a experiência demonstra que o problema não está necessariamente no consumo do peixe, mas na forma como este é apresentado ao consumidor.
Actualmente, o projecto ainda se encontra numa fase inicial, enfrentando desafios relacionados com a disponibilidade de matéria-prima, espaço adequado para o processamento e falta de financiamento.
UMA APOSTA NO EMPREENDEDORISMO JUVENIL
Ao transformar o bagre num produto com uma apresentação diferente e potencial comercial, Onélio considera que a sua iniciativa está alinhada com a visão defendida pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, de incentivar os jovens a apostar no empreendedorismo e na criação de oportunidades através das suas próprias iniciativas.

Para o jovem, a formação académica pode ser igualmente uma ferramenta para identificar problemas, encontrar soluções e transformar recursos disponíveis nas comunidades em oportunidades de negócio.
A experiência de Onélio mostra, assim, como o conhecimento adquirido durante a formação superior pode ser aplicado na prática para criar soluções inovadoras e explorar novas oportunidades no sector da aquacultura.
Apesar dos desafios, o estudante finalista acredita que a transformação do bagre em filé pode ajudar a conquistar novos consumidores e contribuir para o desenvolvimento de iniciativas de empreendedorismo juvenil em Moçambique.
