Mauro Silva diz que A FRELIMO não pode ignorar os sinais da sua própria sobrevivência

Maputo (O Destaque) – A 11.ª Conferência Nacional de Quadros da FRELIMO e a sessão extraordinária do Comité Central representam, para o analista Mauro Silva, mais do que encontros de avaliação interna: são momentos que podem marcar uma nova dinâmica no funcionamento do partido.

Ao analisar os pronunciamentos do Presidente da FRELIMO, Daniel Chapo, durante o processo, Silva considera que a conferência permitiu recuperar um princípio que, segundo ele, é central na vida do partido: “unidade crítica à unidade”.

Para o analista, a abertura para que os membros apresentassem preocupações, críticas, aspirações e frustrações foi um dos aspectos relevantes da reunião, sobretudo depois de cerca de dez anos sem a realização de uma conferência nacional de quadros.

Silva entende que as intervenções mais críticas que ganharam visibilidade pública, incluindo a do camarada Tivane, não devem ser vistas como acontecimentos isolados. Segundo explica, várias questões já vinham sendo discutidas internamente antes de algumas intervenções terem sido captadas e divulgadas em vídeo.

Não é bem verdade quando se coloca a ideia de que o Tivane foi o corajoso, o único que falou. O Tivane não foi o único que falou.”, afirmou.

Na sua leitura, o momento mais importante está na capacidade da FRELIMO de transformar as discussões internas em mudanças concretas.

Se o partido FRELIMO não fizer mudanças, se não se adequar às novas dinâmicas (…) e ignorarmos tudo o que eles dizem e falam, e mais do que isso, o que o povo realmente diz, claramente que a FRELIMO vai ficar a ler os sinais da sua própria sobrevivência”, advertiu.

Mauro Silva considera ainda que as decisões tomadas no processo, incluindo as resoluções aprovadas pelo Comité Central, revelam uma tentativa de revitalização das estruturas partidárias, desde as células até aos comités de diferentes níveis.

Na sua perspectiva, o processo deverá igualmente reflectir-se na composição e funcionamento dos órgãos centrais do partido, com uma possível renovação da Comissão Política e do próprio Comité Central.

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