Maputo (O Destaque) – A suspensão da concessão da fronteira de Machipanda pelo Tribunal Administrativo reacendeu as críticas à actuação de Jorge Matlombe, ministro dos Transportes e Logística. Hedson Massingue questiona os motivos que mantêm o governante no cargo, apesar das polémicas que, na sua avaliação, têm marcado a gestão do sector.
Numa reacção ao Jornal O Destaque, esta terça-feira, Hedson Massingue foi directo ao questionar a continuidade de Matlhombe no Governo, dirigindo-se ao Presidente da República: “A pergunta que não se cala: por que não a sua exoneração? Porquê, senhor Presidente? Que pacto existe entre o dito super-ministro?”
Para sustentar as suas críticas, Massingue recordou outras situações controversas relacionadas com o sector dos transportes, mencionando os tractores e o projecto do sistema de transporte rápido de passageiros, conhecido por BRT. Na sua leitura, a suspensão da concessão de Machipanda pelo Tribunal Administrativo constitui mais um episódio que exige esclarecimentos públicos.
O comentador questiona igualmente os fundamentos da entrega da gestão da fronteira a um grupo empresarial chinês, alegando que não conhece o histórico de investimentos do grupo em projectos semelhantes. Por isso, desafia as autoridades a esclarecerem a experiência que sustentou a concessão e os critérios que orientaram a decisão.
“Machipanda, que mal fizemos para termos uma fronteira entregue a um grupo de chineses que não conhecemos o seu histórico?”, questionou, acrescentando que o país não deve admitir decisões desta natureza sem a devida transparência.
Massignue questiona quem protege Mathombe
Para além das dúvidas sobre a concessão, Hedson Massingue levanta suspeitas sobre a existência de protecção política ao ministro, relacionando a questão com outros titulares de cargos públicos que, na sua perspectiva, também deveriam prestar esclarecimentos.
“Quem protege Mathombe? Não será o mesmo que protege o PCA da Bolsa de Valores?”, questionou, estendendo as interrogações à governadora de Manica, ao governador de Tete e ao secretário de Estado das Minas.
As declarações colocam no centro do debate a responsabilização dos titulares de cargos públicos e a necessidade de esclarecer decisões administrativas que envolvem infra-estruturas estratégicas e interesses económicos.
Massingue considera que a crise dos transportes não é recente e acusa as elites de privilegiarem interesses próprios, deixando os cidadãos expostos às dificuldades de mobilidade. Na sua análise, a população continua a suportar as consequências de um sistema cujos problemas, afirma, permanecem sem respostas satisfatórias.
