A Caça à denunciante: activista tanzaniana acusada de Corrupção após expor o Governo

Maputo (O Destaque) -A tensão entre liberdade de expressão e repressão política volta a ganhar destaque na Tanzânia com a formalização de um processo judicial contra a activista social e blogueira Mange Kimambi. Acusada de corrupção e branqueamento de capitais no valor de 138,5 milhões de xelins tanzanianos (cerca de 59 mil dólares), Kimambi vê-se no centro de uma polémica que, para muitos analistas, ultrapassa as fronteiras legais e entra no terreno da retaliação política.

O processo, identificado como Penal n.º 000021172/2025, está agendado para primeira menção no Tribunal do Magistrado Residente de Kisutu, esta terça-feira, 4 de dezembro. A Procuradoria afirma que os crimes ocorreram entre 1 e 31 de março de 2022, tendo a activista, alegadamente, obtido os fundos por meio de “trabalho jornalístico não autorizado” e “extorsão por ameaça”.

Contudo, a acusação levanta sérias questões entre organizações de direitos humanos e defensores da liberdade de imprensa. O momento da acusação, combinado com o histórico crítico de Kimambi em relação ao governo tanzaniano, fez soar alertas sobre um possível uso instrumental da justiça para calar vozes dissidentes.

Actualmente radicada nos Estados Unidos, Mange Kimambi tornou-se uma figura influente nas redes sociais, denunciando alegadas violações de direitos humanos, corrupção institucional e irregularidades eleitorais. O seu alcance digital, com milhões de seguidores, transformou-a numa voz incômoda para as autoridades.

A sua influência levou à remoção das suas contas nas plataformas da Meta (Facebook e Instagram), um episódio que ela classificou como resultado da pressão política exercida por parte do governo tanzaniano.

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