Acordo de paz de Trump vira fumaça em poucas horas: M23 toma Uvira e deixa região em caos total

Maputo (O Destaque) –Um “milagre” que durou menos de um dia. Enquanto os presidentes de Ruanda e da República Democrática do Congo (RDC) apertavam as mãos em Washington sob os olhares do mediador Donald Trump, os canhões já rugiam no horizonte de Uvira. Agora, a queda estratégica desta cidade para os rebeldes do M23 desmascara a fragilidade do acordo e acende uma crise regional perigosa.

Na quinta-feira, 4 de dezembro, o mundo assistiu a uma cena de diplomacia de alto nível, com os presidentes Paul Kagame (Ruanda) e Félix Tshisekedi (RDC) assinando um acordo de paz mediado por Trump. O pacto obrigava Ruanda a cessar o apoio a grupos armados, mas os combates no terreno nunca pararam. No mesmo dia da assinatura, disparos eram ouvidos perto de Kamanyola, controlada pelo M23.

A ofensiva rebelde, retomada a 1 de dezembro, tinha um alvo claro: Uvira, no Kivu do Sul, uma cidade estratégica no extremo norte do Lago Tanganica e a apenas 27 km de Bujumbura, capital económica do Burundi. Entre 9 e 10 de dezembro, o M23 entrou na cidade, deixando caos e desespero: habitantes escondidos, lojas fechadas, soldados fugindo. “Está um caos, ninguém está no comando. Uvira está perdida”, disse um oficial burundiano.

As acusações voam: RDC e Burundi acusam Ruanda de apoiar a ofensiva, enquanto Ruanda culpa os exércitos congoleses e burundês de violar o cessar-fogo. O Burundi fechou a fronteira com a RDC em resposta. O custo humano é devastador: cerca de 200.000 deslocados, mais de 30.000 refugiados no Burundi, e pelo menos 1.300 mortos, incluindo crianças atingidas por bombardeios a escolas.

A queda de Uvira consolida o poder do M23 no Kivu do Sul e ameaça o Burundi, que fechou a fronteira. A diplomacia internacional está em xeque, com os EUA e a UE expressando “profunda preocupação”, mas sem impacto visível. O “milagre” de Trump virou um pesadelo, sacrificando a paz em nome de interesses geopolíticos. A cidade de Uvira arde, e com ela, a esperança no leste da RDC.

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