Banco Central sanciona Millennium Bim por ter violado princípios contra branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo

Maputo (O Destaque) – O Banco de Moçambique (BM) aplicou uma sanção pecuniária ao Millennium Bim, a maior instituição bancária do país, após confirmar a violação de deveres cruciais no âmbito da Lei de Prevenção e Combate ao Branqueamento de Capitais e Financiamento do Terrorismo (LPCBCFT).

De acordo com um comunicado oficial emitido pelo regulador, a multa fixada em um milhão de meticais surge como resposta a falhas graves nos mecanismos de controlo interno da instituição durante o exercício de 2025.

As infracções detectadas pelo Banco Central centram-se na violação do dever de vigilância contínua e acompanhamento da relação de negócio, o que indica que o banco falhou na monitoria de forma adequada às transacções e o perfil de risco de determinados clientes.

Adicionalmente, o Millennium bim foi penalizado por desrespeitar o dever de exame de operações, uma norma que exige que os bancos analisem detalhadamente qualquer movimento financeiro que apresente características atípicas ou suspeitas de estarem ligadas a actividades ilícitas.

Embora o valor da multa seja considerado baixo em relação aos activos da instituição, a natureza da infracção transporta um peso reputacional significativo. Num momento em que o país se esforça por demonstrar ao mercado internacional e às instituições financeiras globais que o seu sistema bancário é seguro e transparente, a falha do principal operador do mercado em cumprir os protocolos de combate ao financiamento do terrorismo envia um sinal de alerta ao regulador.

Esta sanção sublinha a postura de “tolerância zero” que o Banco de Moçambique tem vindo a adoptar perante as instituições de crédito que não priorizam a integridade do sistema financeiro. Até ao momento, o Millennium BIM não emitiu qualquer comentário público, sobre as medidas que pretende implementar para reforçar os seus departamentos de conformidade e auditoria interna, por forma a evitar a repetição destas violações legais.

O Millenium Bim vive de braços cruzados a uma luta para gerir uma crise de imagem, na sequência de notícias sobre suposto envolvimento de quadros de topo da instituição, em alegados saques às contas de grandes depositantes. O banco continua a preferir o silêncio como estratégia, numa altura em que celebra 30 anos em Moçambique.

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