Maputo (O Destaque) -Miguel Nuvunga tomou posse no último sábado como presidente da Associação Moçambicana União de Camionistas (AMUC) com um discurso incisivo, prometendo uma batalha para resgatar a dignidade e a estabilidade financeira dos profissionais do volante em no país. As prioridades anunciadas passam pela luta por salários justos, a urgente sindicalização da classe e o enfrentamento das precárias condições da Estrada Nacional Número 1 (EN1).
Durante a sua primeira intervenção pública após a tomada de posse, Nuvunga não poupou críticas à realidade que classificou como um “insulto total” à categoria: “O camionista tem um salário muito magro, não justifica um homem que não dorme em casa, não vive em casa, mas tem um salário base de 8 mil a 10 mil meticais.” Lamentou
O novo líder da AMUC apontou o dedo aos próprios governantes, alegando que muitos são, directa ou indirectamente, donos de empresas de transportes, o que cria um ciclo de opressão e desmandos. “A primeira coisa, como desafio, é lutar pela estabilidade financeira do camionista, que é o salário,” afirmou.
Para enfrentar o que considera serem “os maiores desmandos que existem no sector da camionete,” Nuvunga traça uma estratégia, a sindicalização. “Este é o desafio maior que eu tenho, sindicalizar o camionista para poder enfrentar, não como inimigo, mas como realidade, travar os maiores desmandos que existem no sector,” sublinhou.

Outra frente de combate é a situação da EN1, a qual o presidente da AMUC se recusou a chamar de estrada. “Eu não gostaria de chamar a estrada nacional número 1, dizermos a picada nacional número 1, isso é ideal,” corrigiu. Nuvunga denunciou que o mau estado da via não só provoca avarias, muitas vezes imputadas aos próprios funcionários, como também facilita assaltos às mercadorias.
A maior injustiça, segundo ele, reside no facto de a responsabilidade pelo roubo ser atribuída ao camionista, quando a lentidão forçada pelos buracos é a principal causa. “Nesta realidade os patrões deveriam atribuir a responsabilidade ao governo,” disse, reforçando que tal não acontece porque “os mesmos que estão no governo são os donos dos caminhões.”
Nuvunga classificou ainda a cobrança de portagens na via como um “insulto,” ironizando a existência de uma empresa de portagens que, para ele, não passa de uma “fantochada” criada para retirar dinheiro do “coitadinho” para os bolsos de alguns.
Ao finalizar o discurso, o novo presidente apelou à união de toda a classe de camionistas para esta “batalha,” que, segundo ele, não é apenas do presidente, mas sim de toda a categoria. A AMUC promete, a partir de agora, ser uma voz mais forte e combativa na defesa dos direitos das camionetas.
