Governo quer travar exportação de madeira em bruto e aposta no processamento nacional para fortalecer economia

Maputo (O Destaque) — O Governo defende uma viragem estratégica no sector florestal, com foco na exportação de produtos finais em vez de madeira em bruto.

A posição foi apresentada pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, durante o Workshop de Consulta ao Sector Privado sobre Eficiência e Transparência Florestal, realizado ontem, segunda-feira, 16 de Fevereiro, na cidade de Maputo.

A proposta visa transformar a exploração florestal numa actividade orientada para a criação de valor interno, privilegiando o processamento local da madeira e a exportação de produtos acabados.

A intenção é aumentar as receitas cambiais, dinamizar a industrialização e estimular o empreendedorismo, com impacto directo na geração de empregos, sobretudo nas zonas rurais.

Para concretizar esta mudança, o sector propõe duas medidas centrais: a proibição da exportação de madeira em bruto, permitindo apenas a saída de produtos processados, e o agravamento das taxas aplicadas à subvalorização da madeira, tornando economicamente desvantajosa a exportação de matéria-prima.

Segundo o ministro, estas medidas devem ser acompanhadas por um sistema rigoroso de fiscalização nos portos e caminhos-de-ferro, assegurando maior controlo sobre o fluxo de produtos florestais destinados ao mercado externo.

Roberto Albino destacou ainda que o país já dispõe de legislação florestal actualizada, cujo cumprimento efectivo poderá trazer resultados concretos para o sector. Referiu igualmente os avanços na informatização do sistema de informação florestal, que permite monitorar todo o circuito da madeira, garantindo maior transparência e dados mais fiáveis sobre a actividade.

O governante sublinhou que o futuro da indústria florestal passa pela consolidação de uma cadeia de valor estruturada, capaz de conciliar conservação ambiental com desenvolvimento económico. Para o Executivo, o sector deve ser encarado não apenas como área de preservação, mas também como motor de negócios, geração de receitas fiscais e criação de uma nova classe de empresários nacionais.

Actualmente, o Ministério trabalha na operacionalização do Programa Nacional da Economia Florestal, iniciativa que pretende impulsionar a silvicultura comercial e reforçar o processamento secundário, aumentando o aproveitamento de espécies nativas e exóticas.

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