Matola (O Destaque) – Um clima de revolta tomou conta da sede distrital do partido na cidade da Matola, quando um grupo de antigos guerrilheiros invadiu o local em protesto contra o que chamam de “abandono total” pela liderança política.
Os ex-combatentes, visivelmente indignados, acusam o partido de ignorar suas demandas históricas.
Os manifestantes deixaram claro que não aceitam mais promessas vazias.
“Nós encerramos isto uma primeira vez, mas voltaram a entrar aqui usando força. Estamos a repetir de novo, e não sabemos o que vai acontecer, mas não vamos desistir — estamos preparados“, ameaçou um dos guerrilheiros.
A insatisfação gira em torno da falta de apoio econômico e do desrespeito à memória dos combatentes.
“Como é que podemos viver? O comandante-chefe André Matsangaíssa morreu no mato, o saudoso Afonso Dhlakama também morreu no mato. E nós? Continuaremos a morrer esquecidos?“, questionou outro veterano.
Do outro lado, a secretária distrital do partido, Milene Jossaia, assumiu a invasão como um ato de vandalismo.
“A ação dos membros resultou na danificação de material. Funcionamos como uma instituição, e a Comissão Política da Matola vai avaliar os estragos e responsabilizar cada um envolvido“, declarou.
Jossaia ainda desqualificou parte dos manifestantes, sugerindo que nem todos eram verdadeiros guerrilheiros.
“Alguns que estiveram aqui não são combatentes. Não conhecemos suas reais intenções“, acusou, reforçando que as demandas legítimas devem ser tratadas nos “órgãos próprios do partido“.
Horas após o protesto, a delegada distrital retornou ao local com alguns membros e, segundo testemunhas, “tudo voltou à normalidade”. No entanto, a paz parece frágil. Enquanto a liderança ameaça punições, os guerrilheiros juram que não recuarão.
