Maputo (O Destaque) — O que começou como um alerta técnico lançado em 2025 pelo Centro de Integridade Pública (CIP) ganha agora eco internacional.
O Fundo Monetário Internacional (FMI), na sua mais recente avaliação ao abrigo da consulta do Artigo IV, divulgada em fevereiro de 2026, reconhece que Moçambique enfrenta crescentes dificuldades de financiamento externo e precisa de maior flexibilidade cambial para conter vulnerabilidades macroeconómicas.
No ano passado, o CIP advertiu que a manutenção de uma taxa de câmbio aparentemente estável, num contexto de escassez real de divisas, poderia gerar distorções profundas na economia.
Entre os riscos apontados estavam o aumento da pressão sobre o mercado paralelo, a perda de competitividade das exportações e dificuldades acrescidas na importação de bens essenciais.
O centro defendia que, para uma economia estruturalmente dependente de importações como a moçambicana, sustentar artificialmente a estabilidade cambial não significa equilíbrio, mas sim adiamento de ajustamentos inevitáveis.
No seu relatório, a instituição sublinha que o país opera num ambiente de financiamento externo cada vez mais restritivo, sem anunciar qualquer novo programa de apoio financeiro.
O Conselho Executivo destacou que a flexibilidade cambial é uma das medidas-chave para mitigar riscos externos e restaurar maior confiança no mercado.
A ausência de um novo pacote de financiamento é vista por analistas como reflexo das incertezas macroeconómicas persistentes, incluindo desequilíbrios fiscais e cambiais que continuam a limitar o acesso do país a recursos externos em condições favoráveis.
Com o metical sob pressão e o mercado de divisas ainda marcado por restrições, o debate sobre a sustentabilidade da política cambial ganha novos contornos.
Entre os alertas internos e as conclusões externas, cresce o consenso de que a estabilidade aparente pode estar a mascarar tensões económicas mais profundas.
Fonte: CIP
