Maputo (O Destaque) – A decisão do Presidente do Gana de recusar receber o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, como forma de protesto contra os recorrentes actos de xenofobia praticados contra cidadãos africanos na África do Sul, continua a suscitar reacções em vários países do continente. O gesto foi interpretado como uma forte mensagem política de condenação à violência e discriminação contra estrangeiros.
Em entrevista exclusiva ao Jornal O Destaque, o decano e analista político Salomão Moyana considerou que a posição assumida pelo Gana é legítima e representa um sinal claro de pressão sobre Pretória.
“O Presidente do Gana tem razão. Neste momento, a África do Sul é o país africano mais impopular. Em vários países, como o Gana, Nigéria e Uganda, os sul-africanos enfrentam hostilidade por causa da forma como cidadãos desses países são tratados na África do Sul”, afirmou.
Segundo Moyana, a decisão do Gana permite que o Presidente sul-africano sinta a pressão dos restantes países africanos face aos sucessivos episódios de xenofobia.
Questionado sobre o que Moçambique pode aprender com a atitude do Gana, o analista foi peremptório: “Moçambique não é capaz de fazer o que o Gana está a fazer.”
Na sua análise, essa incapacidade resulta da forte dependência económica e estratégica existente entre Maputo e Pretória.
“Moçambique depende muito mais da África do Sul do que o Gana depende. Não tem condições materiais e objectivas para adoptar a mesma posição”, explicou.
Embora reconheça que a África do Sul também depende de Moçambique em áreas como o fornecimento de energia e outras infra-estruturas, Moyana considera que a interdependência entre os dois países limita qualquer endurecimento da posição diplomática moçambicana.
“O Gana está a dar um exemplo para toda a África, mas Moçambique não consegue imitá-lo porque as relações entre Moçambique e a África do Sul são completamente diferentes das relações entre o Gana e a África do Sul”, concluiu.
