Maputo (O Destaque) – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, declarou esta quarta-feira uma ofensiva sem tréguas contra o crime organizado, exigindo o imediato reforço da prevenção e do combate ao tráfico de estupefacientes em Moçambique. Discursando na abertura da Conferência Nacional sobre Prevenção e Combate à Droga, em Maputo, o Chefe do Estado advertiu que o país não pode continuar a enfrentar um fenómeno transnacional e em acelerada mutação recorrendo a métodos obsoletos.
Na sua intervenção, o Mais Alto Magistrado da Nação alertou para a crescente sofisticação das redes criminosas, que hoje tiram proveito de plataformas encriptadas, tecnologias de ponta e circuitos financeiros digitais para dissimular operações e expandir a sua influência. O cenário agrava-se com o surgimento contínuo de novas substâncias psicoactivas e a assustadora proliferação do consumo entre menores de idade.
Segundo revelou Daniel Chapo, as autoridades nacionais têm vindo a assinalar não apenas a entrada de grandes volumes de estupefacientes, mas também a instalação de unidades fabris clandestinas de anfetamina, metanfetamina e fentanil. Para contornar a fiscalização, os criminosos recorrem a pequenas machambas e zonas remotas do país. Paritariamente, a entrada e circulação de cocaína, heroína e precursores químicos confirmam uma mudança profunda na dinâmica do narcotráfico: Moçambique deixou de ser uma mera plataforma de trânsito para se fixar como centro de produção e mercado de consumo.
“A nossa infância não está à venda”
A penetração do crime organizado no ambiente escolar mereceu um veemente repúdio do Presidente da República. Diante do assédio das redes criminosas aos estabelecimentos de ensino, Daniel Chapo foi categórico: “A nossa infância não está à venda”. Para blindar as crianças e jovens, orientou a criação e revitalização urgente de Núcleos Anti-Droga nas escolas públicas e privadas de todo o país, tomando como modelo a experiência em curso na Cidade de Maputo.
Paralelamente, o Chefe do Estado exortou a uma actuação enérgica do Ministério Público, dos Tribunais, das Forças de Defesa e Segurança (FDS) e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), com especial foco no desmantelamento dos pontos de venda e consumo. “O Estado não pode, nem deve ter qualquer complacência: impõe-se a sua identificação, o seu encerramento e a responsabilização criminal de todos quantos, directa ou indirectamente, deles tiram proveito”, cravou.
Golpear a estrutura financeira do crime
Numa viragem estratégica, Daniel Chapo defendeu a transição da tradicional apreensão de substâncias para o estrangulamento financeiro e patrimonial dos cartéis. A nova abordagem exige a modernização de laboratórios de perícia, o apetrechamento tecnológico das fronteiras, portos e aeroportos, além do rastreio rigoroso dos fluxos de capital e do confisco dos bens resultantes do crime.
“Temos de golpear o inimigo onde mais lhe dói, fins de ele não ter mais forças para se reerguer”, frisou o Presidente, sustentando que a dimensão transfronteiriça do problema exige uma coordenação institucional sólida e uma cooperação internacional efectiva.
Em jeito de remate, o Presidente da República associou a luta contra o narcotráfico à própria soberania e independência económica do país, advertindo que o desenvolvimento de Moçambique permanecerá refém enquanto o branqueamento de capitais e a degradação social da juventude continuarem a ameaçar o futuro da Nação.
