Maputo (O Destaque) –A CNN reafirmou a integridade do seu relatório investigativo sobre os trágicos acontecimentos de 29 de Outubro na Tanzânia, alegando que todas as informações publicadas estão fundamentadas em provas sólidas e verificadas. A reportagem, que aponta para alegados abusos dos direitos humanos, incluindo execuções de civis desarmados e valas comuns, está a provocar um debate aceso sobre ética jornalística e transparência governamental.
Em entrevista à SABC News, o correspondente da CNN, Larry Madowo, garantiu que o trabalho jornalístico seguiu rigorosos critérios de verificação. “Trabalhámos com muito cuidado. Examinámos vídeos, áudios, imagens de satélite e entrevistámos mais de 100 tanzanianos. Não publicámos nada que não pudéssemos confirmar”, afirmou. Segundo Madowo, desde a divulgação do relatório, nenhuma entidade desmentiu os factos apresentados: “Ninguém disse que mentimos ou inventámos informações falsas.”
Contudo, o Governo da Tanzânia reagiu com firmeza. O porta-voz-chefe, Gerson Msigwa, considerou o relatório parcial e criticou a abordagem do meio de comunicação. “A CNN não deu oportunidade ao lado do governo. O repórter não comunicou com as autoridades. Usou fotos de telemóveis sem seguir os procedimentos formais”, afirmou durante uma conferência em Dar es Salaam.
Msigwa também questionou o impacto emocional das imagens utilizadas: “Não estamos a negar as mortes; todos estamos entristecidos. Mas porquê divulgar conteúdos que só aumentam a dor e a raiva dos cidadãos?”
O Governo criou uma comissão para investigar os factos e garantiu que divulgará um relatório oficial nos próximos dias. Ao mesmo tempo, apelou à CNN para que dialogue com as autoridades tanzanianas e siga os princípios de um jornalismo equilibrado e responsável.
