Maputo (O Destaque) — Depois da denúncia do jornal O Destaque na INAE sobre estado péssimo dos sanitários da 2M-Jardim e, posteriormente, uma equipa da Inspecção das Actividades Económicas (INAE) teria se aproximado à fábrica para passar “um pente fino” que teria resultado em uma multa a firma num valor equivalente a 80 salários mininos na função pública.
Não tardou, para a nossa equipa saber tambem que, um montante avaliado em cerca de 15 milhões de meticais, alegadamente destinado à reabilitação de três casas de banho na unidade da 2M–Jardim teria supostamente sumido sem deixar sequer rastos numa altura em que as condições sanitárias no local continuam a gerar preocupação entre trabalhadores.
Segundo informações apuradas, o valor teria sido canalizado para intervenções nas infra-estruturas sanitárias, mas, no terreno, o cenário permanece crítico e imutável. As casas de banho apresentam sinais de degradação, com relatos de falta de água regular, ausência de sabão e condições consideradas inadequadas para o uso diário, até mesmo para tomar banho os funcionarios usam meios própios.
Fontes ouvidas pelo O Destaque indicam que, apesar dos valores disponibilizados, não houve uma reabilitação profunda das instalações.
Em vez disso, apontam para intervenções superficiais que não responderam às necessidades básicas de higiene e salubridade.
Além das condições físicas, trabalhadores denunciam dificuldades no acesso a materiais essenciais de higiene, o que agrava o risco sanitário no local de trabalho. “As casas de banho continuam praticamente nas mesmas condições. Falta água, falta sabão, e isso afecta todos nós”, relatou uma fonte.
As denúncias incluem ainda alegações de desvio de fundos, envolvendo 3 responsáveis ligados à gestão dos recursos da firma.
De acordo com os relatos, parte significativa do valor não terá sido aplicada para os fins previstos, levantando dúvidas sobre a transparência na utilização dos recursos.
A situação levanta preocupações não apenas sobre a gestão financeira, mas também sobre o impacto directo na saúde e bem-estar dos funcionários, que continuam a trabalhar em condições consideradas inadequadas.
Num jornalismo de rigor e respeito ao princípio de contradição, O Destaque enviou uma carta a 2M, pedindo esclarecimentos sobre o assunto, mas até ao fecho da reportagem não tivemos nem um “pingo de resposta”.
