Tanzânia cancela festa da independência em meio a tensão pós-eleitoral

Maputo (O Destaque) –O governo da Tanzânia anunciou o cancelamento das celebrações oficiais do Dia da Independência, previstas para o próximo dia 9 de Dezembro. A medida, justificada pelo Primeiro-Ministro Mwigulu Nchemba como um redireccionamento de fundos para reconstrução de infraestruturas danificadas nos recentes protestos, gerou forte contestação da oposição e de sectores da sociedade civil, que veem na decisão um reflexo do clima de instabilidade política.

A tensão cresceu após as eleições do mês passado, marcadas por alegações de fraude e repressão violenta. A Presidente Samia Suluhu Hassan foi reeleita com 98% dos votos, um resultado que levantou dúvidas entre observadores independentes. Desde então, diversos protestos eclodiram em várias cidades, resultando em confrontos com forças de segurança e denúncias de violações de direitos humanos.

Para a oposição, o cancelamento das festividades é uma tentativa de evitar mobilizações populares no feriado nacional. “Este não é um gesto de prudência económica, mas uma manobra para silenciar o descontentamento popular”, disse, sob anonimato, um porta-voz de um partido opositor.

Analistas políticos afirmam que o governo tanzaniano procura evitar que o Dia da Independência, tradicionalmente um símbolo de unidade nacional, se transforme num palco de contestação pública. A decisão também lança dúvidas sobre a estabilidade interna do país e expõe os desafios de reconciliação num contexto de desconfiança institucional.

A comunidade internacional acompanha com atenção o desenrolar dos acontecimentos. Organizações de direitos humanos têm apelado à transparência, ao diálogo político e à responsabilização pelos excessos cometidos durante a repressão aos protestos.

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