Cabo Delgado (O Destaque) – É uma nova demonstração de violência. No último sábado (10), os terroristas protagonizaram mais um ataque contra uma base das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) nas proximidades da aldeia Miangalewa, no distrito de Muidumbe, província de Cabo Delgado. Por meio de seus canais de propaganda nas redes sociais, os terroristas afirmaram ter matado 11 militares moçambicanos e divulgou imagens do ataque. No entanto, uma fonte de segurança das Nações Unida, relatou que o número de baixas entre as FADM foi ainda maior: 18 soldados teriam perdido a vida no confronto.
Fontes locais confirmaram que, na noite de 8 de Maio, intensos tiroteios eclodiram próximo a uma posição militar nos arredores de Miangalewa.
A violência obrigou civis que estavam em processo de retorno às suas casas — após meses de deslocamento devido ao conflito — a fugirem novamente, desta vez em direção à aldeia Chai, no distrito vizinho de Macomia.
As duas localidades são separadas pelo rio Messalo, que tem se tornado uma fronteira simbólica entre áreas relativamente seguras e zonas sob constante ameaça de ataques.
Este é o segundo ataque terrorista contra forças militares em Cabo Delgado em menos de sete dias. Na semana anterior, os terroristas assumidaram a autoria de uma emboscada que resultou na morte de três soldados ruandeses, próximo à aldeia Ntotwe, no distrito de Mocímboa da Praia.
A crescente frequência de ataques sugere uma tentativa dos insurgentes de reafirmar sua presença na região, mesmo diante da forte presença das FADM e forças estrangeiras.
A província de Cabo Delgado vive uma crise de segurança desde 2017, quando grupos insurgentes ligados ao Estado Islâmico iniciaram uma campanha de terror que já deixou milhares de mortos e mais de 800 mil deslocados. Apesar dos avanços das tropas governamentais e aliados como Ruanda e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), os insurgentes continuam realizando ataques coordenados, explorando áreas de difícil acesso e a fragilidade logística das forças de segurança.
Enquanto as autoridades moçambicanas ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o número exacto de baixas no ataque a Miangalewa, a discrepância entre os dados divulgados pelo Estado Islâmico e as fontes da ONU reflete a dificuldade de obter informações precisas em zonas de conflito. A população civil, por sua vez, permanece em estado de alerta, temendo novos deslocamentos em meio ao agravamento da violência.
