Maputo (O Destaque) –As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) enfrentam uma nova turbulência, desta vez marcada pela auto-demissão repentina de Dane Kondic, Presidente da Comissão de Gestão, cuja contratação foi anunciada com pompa como parte da estratégia para reverter a crise financeira e operacional da companhia de bandeira.
A decisão foi comunicada durante uma reunião do Conselho de Direcção realizada esta sexta-feira, e apanhou de surpresa grande parte dos membros presentes. Fontes citadas pelo CanalMoz indicam que Kondic justificou a saída com uma viagem iminente a Portugal, sem intenção de regressar a Maputo.
Dane Kondic, de nacionalidade australiana e com experiência no sector da aviação, foi contratado em maio de 2025 com a missão de reestruturar a LAM. No entanto, a sua gestão não passou despercebida e rapidamente se tornou alvo de críticas e desconfiança, sobretudo após se tornar público que acumulava o cargo de Presidente do Conselho de Administração da Air Botswana.
Nos últimos dias, veio a público um episódio que terá contribuído para a saída de Kondic: a autorização para o pagamento de seis milhões de dólares por uma aeronave que já havia pertencido à frota da LAM em regime de aluguer. Fontes revelaram que a mesma aeronave teria sido oferecida anteriormente à companhia por apenas 1,5 milhões de dólares. O negócio gerou questionamentos internos e aumentou a pressão sobre a sua permanência.
A situação crítica da LAM tem sido objecto de atenção ao mais alto nível. Recentemente, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, comentou de forma crítica a gestão da transportadora, referindo-se à presença de “raposas” dentro da companhia, numa alusão a interesses instalados que minam a recuperação da empresa pública.
