“Fantasmas” invisíveis da internet ameaçam manipular resultados eleitorais no Malawi

O Malawi, país do sudeste africano, vive um clima de alta tensão política, marcado por acates e desconfiança. À espera do anúncio oficial dos resultados das eleições gerais, surgiram alegações graves de sequestro, intimidação e pirataria de telemóveis, lançando uma sombra sobre a credibilidade do processo democrático.

A controvérsia ganhou destaque com a notícia de que um agente da Polícia de Investigação Criminal (CID) teria sido apanhado a passar informações sobre a contagem de votos a um activista ligado ao Partido Democrático Progressista (DPP). O ativista, por sua vez, alega que a comunicação era directamente direccionada a figuras de alto escalão do DPP, como o deputado Norman Chisale. A situação, que já era tensa, piorou quando a comunicação foi abruptamente cortada devido a “perturbações na rede”, em paralelo com a suspeita de pirataria de telemóveis de membros do DPP, levantando receios de vigilância e comprometimento dos canais de comunicação.

O cenário de medo foi ainda mais acentuado com o relato do sequestro de um Oficial Eleitoral de Circunscrição (CRO). Este oficial, que foi encontrado e interrogado, descreveu um episódio de violência e coerção. Ele e sua vice-directora teriam sido levados para um local isolado, onde foram confrontados por apoiantes do Partido do Congresso do Malawi (MCP), que os acusavam de permitir que o ex-presidente Arthur Peter Mutharika (APM) tivesse um número elevado de votos.

Quando os oficiais se recusaram a alterar os resultados, o cenário evoluiu para um momento de intimidação mais grave: teriam sido transportados para a sede do MCP, onde foram, supostamente, agredidos. Apesar da violência, ambos mantiveram a sua posição de não interferir com a vontade popular, sendo posteriormente abandonados.

Estes incidentes, combinados com relatos de que o MCP está a transportar apoiantes para a sua sede em preparação para uma cerimónia de tomada de posse de Lazarus Chakwera, pintam um quadro de uma nação à beira do caos.

A fragilidade da democracia do Malawi é colocada à prova com estas alegações, que questionam a segurança dos oficiais eleitorais, a neutralidade das agências de segurança e, em última análise, a legitimidade do processo. A falta de transparência e a erosão da confiança pública em um momento crucial podem incitar a violência e minar a fé no resultado das eleições, tornando urgente uma resposta rápida e decisiva das autoridades.

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