Maputo (O Destaque) — Num gesto de fraternidade entre os povos do Atlântico e do Índico, aterrou esta terça-feira (27), no Aeroporto Internacional de Mavalane, um avião da Força Aérea de Angola transportando as primeiras 20 toneladas de ajuda humanitária.
O donativo visa socorrer as milhares de famílias fustigadas pelas intempéries que assolam o país, nestas que já são consideradas, possivelmente, as piores cheias desde a independência.
O carregamento, composto por bens diversos, medicamentos, material gastável, vestuário, tendas e alimentos, foi entregue pessoalmente pelo secretário de Estado para a Saúde de Angola, Pinto de Sousa. Segundo o governante angolano, esta é apenas a primeira parte de um total de 75 toneladas de assistência, estando o restante previsto chegar a Moçambique a partir da próxima quarta-feira.
“Trata-se de uma manifestação de solidariedade e apoio que certamente vai reduzir os efeitos das chuvas. Angola está de mãos dadas com Moçambique”, afirmou Pinto de Sousa durante a cerimónia de recepção.
Do lado moçambicano, o secretário de Estado da Economia, António Grispos, recebeu o apoio com visível emoção, destacando a gravidade da situação humanitária. Grispos sublinhou que, perante a magnitude da catástrofe, as vítimas precisam de “tudo” para minorar o sofrimento.
“Estamos bastante sensibilizados por este gesto. Esta oferta vem ajudar muitos moçambicanos nestas que podem ser, se calhar, as piores cheias do pós-independência, com um rasto devastador e desestabilizador”, declarou o secretário de Estado moçambicano, reforçando os laços históricos de reciprocidade entre as duas nações.
Embora o Governo moçambicano esteja a envidar esforços para assistir as populações afectadas, António Grispos reconheceu que a capacidade interna “nunca é suficiente para tamanha desgraça”.
Essa não é a primeira vez que Angola se junta no coro solidário a Moçambique. Durante a COVID-19, o país lusófono ofereceu um tanque gigante de oxigénio ao país e, na altura da Missão da SADC para o combate ao terrorismo, o país disponibilizou uma aeronave da Força Aérea e dois oficiais ligados à inteligência.
De lembrar que, em relação às chuvas, além de Angola, a rede de solidariedade internacional tem-se alargado, com anúncios de ajuda de emergência vindos da União Europeia, Estados Unidos, Portugal, Noruega, Japão e de vários países vizinhos da região da África Austral (SADC).
