Angoche: Menor de 13 anos violada por 5 meticais

 Nampula (O Destaque) — Uma adolescente de apenas 13 anos foi submetida a um calvário de abusos sexuais perpetrados por um vizinho de 45 anos, na comunidade de Inguri, bairro de Mussoriri, em Angoche. O agressor não só violou a menor em três ocasiões distintas, como tentou comprar o seu silêncio com 50 meticais e a promessa de um terreno (talhão). No episódio mais recente, a dignidade da criança foi aviltada pelo pagamento irrisório de apenas 5 meticais.

O caso, que chegou à redação da Rádio Parapato, revela uma teia de abusos, ameaças e uma cumplicidade silenciosa que choca a comunidade local.

Em lágrimas, a vítima descreveu à reportagem o início do pesadelo. A menor brincava na mesma residência com duas outras crianças um rapaz e uma rapariga. Num momento de vulnerabilidade, após a saída dos companheiros de brincadeira, a adolescente viu-se indefesa perante o predador.

Encontrou-me fora, levou-me para dentro e perguntou: queres dinheiro? Eu disse que não queria. Depois levou-me para o quarto e começou a abusar de mim. Quando terminou, deu-me 5 meticais”, relatou a adolescente, com a voz embargada pelo trauma.

Noutro episódio, o método foi mais calculista: “Eu estava a assistir a um filme com a sobrinha dele. Ele lançou 50 meticais e eu procurei saber de quem eram. No dia seguinte, ele aproveitou-se de mim, alegando que eu tinha de pagar os 50 meticais”, revelou.

Após consumar o crime, o agressor recorreu a uma estratégia macabra para garantir a impunidade. “Ele comprou um talhão e disse para eu não denunciar. Afirmou que, se eu falasse, podiam prendê-lo”, relatou a menor.

A promessa de um terreno activo de elevado valor simbólico e material em contextos de precariedade foi usada como moeda de troca para silenciar a vítima. A situação agrava-se com uma suspeita clínica alarmante: “Agora estou com atraso menstrual”, revelou a rapariga, levantando o espetro de uma gravidez resultante das violações.

Apesar do trauma, a criança ainda acalenta a esperança de um futuro digno. “Quando vou à escola, quero ser professora para dar aulas”, afirmou, num relance de inocência que contrasta com a brutalidade sofrida.

Em Moçambique, a violação de menores é um crime de extrema gravidade, tipificado no Código Penal e reforçado pela Lei de Prevenção e Combate às Uniões Prematuras (Lei n.º 19/2019). A moldura penal para crimes desta natureza pode ultrapassar os 20 anos de prisão maior.  

Fonte: Rádio Parapato

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