Maputo (O Destaque) — O silêncio da 8.ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique, no centro da cidade de Nampula, foi quebrado por uma evasão que deixou as autoridades em alerta máximo. Pelo menos sete reclusos conseguiram colocar-se em fuga num episódio que já foi oficialmente confirmado, estando agora em curso várias diligências para a sua recaptura, escreve o Rigor, jornal de forte influência local.
De acordo com o digital, o cenário deixado para trás na cela foi, no mínimo, insólito: apenas um homem permaneceu no local, mas foi encontrado em estado de inconsciência, o que levanta questões imediatas sobre o que terá ocorrido momentos antes da debandada.
O Rigor avança que, as primeiras informações indicam que este recluso poderá ter sido vítima de agressões violentas perpetradas pelos seus próprios companheiros de cela antes de estes ganharem a rua. Embora a Polícia ainda não tenha avançado detalhes técnicos sobre como a fuga foi concretizada, o estado de saúde do único detido que restou sugere um ambiente de coacção ou conflito interno que facilitou a saída dos restantes.
Por enquanto, a corporação limita-se a assegurar que o trabalho de investigação está focado na responsabilização dos envolvidos e no esclarecimento total das circunstâncias que permitiram tamanha falha de segurança.
Este incidente volta a colocar os holofotes sobre a vulnerabilidade das infraestruturas policiais na província, numa altura em que se apela ao apoio da população para localizar os fugitivos. O caso não é isolado e expõe fragilidades que parecem persistir no sistema de custódia, gerando um sentimento de insegurança na comunidade que espera por respostas mais concretas sobre a vigilância nestas unidades.
É importante notar que este não é o primeiro caso a expor tais lacunas. No mês de Fevereiro passado, a tranquilidade do distrito de Mossuril foi igualmente abalada quando 13 reclusos fugiram da cela do comando distrital da Polícia. Na ocasião, os detidos conseguiram serrar as grades da cela durante a noite, aproveitando a penumbra e a possível falta de prontidão na guarda para desaparecerem sem deixar rasto imediato.
A repetição de episódios desta natureza em distritos diferentes, mas na mesma região, reforça a ideia de que o sistema enfrenta um desafio estrutural sério.
Estes eventos sucessivos, marcados pela audácia dos detidos e pela aparente facilidade com que contornam as barreiras físicas, prova o quão a província de Nampula tem sido terreno fértil para festivais de escapatória.
A recorrência destas fugas, seja por serragem de grades ou por ataques internos entre reclusos, exige uma revisão profunda dos protocolos de segurança nas esquadras, sob pena de a autoridade policial continuar a ser posta à prova por aqueles que deveriam estar sob sua custódia rigorosa.
