Maputo (O Destaque) — O Ministério dos Transportes e Logística (MTL) quebrou o silêncio e expôs a situação crítica que se vive no Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), anunciando uma reestruturação profunda após auditorias revelarem falhas graves.
Em comunicado oficial emitido esta terça-feira, o Governo desmascarou o funcionamento da instituição, ao revelar que a instituição enfrenta “disfunções institucionais graves”, marcadas por um cenário de desorganização que afecta directamente a vida de milhares de cidadãos. A decisão de intervir surge após uma auditoria interna e uma inspecção independente do Ministério da Administração Estatal e Função Pública (MAEFP) terem concluído, de forma clara, que o INATRO sofre de “fragilidades na gestão interna, indícios de corrupção e deterioração do atendimento ao público”.
O diagnóstico apresentado pelo Executivo confirma a notícia emitida na edição da semana passada, pelo Jornal Destaque, na qual avançamos o estado de insatisfação que marca o espírito do ministro dos transportes, João Matlombe.

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No documento emitido pelo seu ministério, o Executivo expõe o quadro alarmante do regulador dos transportes rodoviários e explica o caos sentido pelos utentes nos últimos meses. Segundo o comunicado, o trabalho realizado pelas equipas de inspecção identificou “falhas recorrentes nos sistemas informáticos” e “atrasos significativos na prestação de serviços”.
Para ilustrar o tamanho da gravidade dos problemas, o Governo revelou que, até meados de Fevereiro de 2026, o INATRO tinha acumulado “perto de 40 mil cartas de condução por imprimir e cerca de 32 mil processos pendentes”, uma situação que gerou uma profunda insatisfação e comprometeu seriamente a “credibilidade institucional” do órgão.
Para travar esta degradação, o Ministério dos Transportes e Logística anuncia uma reorganização que inclui a “mobilidade gradual de funcionários” e o reforço das equipas com técnicos vindos de outros sectores da Administração Pública. Este processo será monitorizado por uma equipa técnica interinstitucional até Agosto de 2026, com o objectivo de estabilizar os sistemas tecnológicos e garantir a “reposição da confiança dos cidadãos”.
Com esta medida drástica, o Governo afirma que pretende salvaguardar o interesse público e assegurar a transparência, prometendo uma “reestruturação profunda” para corrigir as irregularidades e os sinais de corrupção que paralisaram uma das instituições mais importantes para a mobilidade do país.
