Maputo (O Destaque) — Depois de agitar a função pública com a revelação de uma verdadeira legião de “funcionários fantasmas” que recebiam salários do Estado sem, supostamente, existirem nos locais de trabalho, o caso continua sem rostos e sem culpados conhecidos. O Governo admite que, passados oito meses desde a descoberta da fraude, as investigações ainda decorrem e ninguém foi responsabilizado publicamente.
A confirmação foi feita pelo ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, que reconheceu que o processo de investigação sobre os cerca de 18 mil funcionários fantasmas continua em curso, sem avançar detalhes sobre possíveis envolvidos.
A descoberta do esquema expôs fragilidades nos sistemas de controlo da administração pública, sobretudo na gestão da folha salarial do Estado, que durante anos terá sido alimentada por nomes de trabalhadores inexistentes ou irregulares.
O caso ganhou dimensão nacional não apenas pelos números envolvidos, mas também pelo impacto financeiro da fraude, numa altura em que o país enfrenta desafios económicos e crescente pressão por maior rigor na gestão dos recursos públicos.
Apesar da expectativa em torno da identificação dos responsáveis, o Executivo mantém silêncio sobre eventuais suspeitos, alimentandas dúvidas sobre a responsabilização efectiva num dos maiores escândalos administrativos registados recentemente na função pública.
