Maputo (O Destaque) — Num período em que o país está sob efeito da ressaca de múltiplos desafios económicos e sociais, e após ter sido recentemente classificado entre os mais pobres do mundo, a ministra das Finanças, Carla Alexandra Louveira, assegurou que o pagamento da dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI) não teve impacto nas contas do Estado.
Falando num contexto marcado pela celebração do papel das mulheres na governação e na economia, a governante explicou que o cumprimento das obrigações com o FMI foi realizado com recurso às reservas internacionais líquidas do país, sem necessidade de recorrer ao Orçamento do Estado.
Segundo detalhou, Moçambique dispõe de níveis considerados confortáveis de reservas externas, equivalentes a cerca de quatro a cinco meses de importações, o que permitiu absorver o pagamento sem comprometer a estabilidade financeira. Ainda assim, reconheceu que houve uma redução ligeira dessas reservas, descrita como controlada.
A ministra fez questão de tranquilizar os cidadãos, sublinhando que não houve necessidade de rever o orçamento nem de introduzir ajustamentos para acomodar a operação. “Os moçambicanos podem descansar”, afirmou, reforçando que o processo foi conduzido no âmbito de uma estratégia mais ampla de gestão da dívida pública.
Nesse sentido, recordou que o Governo aprovou recentemente a Estratégia de Gestão e Sustentabilidade da Dívida Pública para o período 2025–2029, instrumento que orienta as acções destinadas a garantir o equilíbrio financeiro do país. A componente relacionada com o FMI integra esse esforço, a par de outras medidas ainda em preparação, incluindo a criação de espaço fiscal para financiar investimentos estruturantes.
Sobre a recente classificação do país em relatórios internacionais, a ministra reconheceu a legitimidade dos estudos, mas considerou que os dados utilizados não reflectem plenamente a realidade actual. Explicou que grande parte da informação foi recolhida durante o período da pandemia da Covid-19, agravado pelos conflitos em Cabo Delgado e pelos impactos de eventos climáticos extremos.
Acrescentou que a análise se concentrou sobretudo na chamada pobreza de consumo, sem considerar de forma abrangente a dimensão multidimensional da pobreza, que inclui o acesso a serviços, infra-estruturas e oportunidades económicas. Segundo defendeu, uma avaliação mais actualizada poderia apresentar uma “fotografia diferente” do país.
Ainda assim, afastou a ideia de que essa classificação possa afastar investidores. Para a governante, o potencial económico de Moçambique permanece atractivo, sobretudo quando se consideram os recursos naturais, o desenvolvimento de infra-estruturas e as oportunidades de investimento em vários sectores.
No que diz respeito às políticas de financiamento e inclusão económica, a ministra esclareceu que programas como o Empodera, voltado especificamente para mulheres, e o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (Fidel), de carácter mais abrangente, não entram em conflito. Pelo contrário, considerou que se complementam ao responderem a necessidades distintas da sociedade.
Ao intervir num momento de simbólico para as mulheres, a titular das Finanças reforçou a importância de políticas públicas inclusivas, ao mesmo tempo que procurou transmitir confiança na gestão da dívida e na estabilidade macroeconómica do país.
