Ruanda cala rumores e Moçambique abre os cofres para manter tropas em Cabo Delgado

Maputo (O Destaque e Agências Internacionais) — Depois de circularem boatos sobre uma possível retirada das forças ruandesas devido à alegada falta de financiamento da União Europeia, o Governo veio garantir que há fundos assegurados para manter a presença militar de Ruanda em Cabo Delgado, numa altura em que a luta contra o terrorismo continua a dominar as preocupações de segurança no norte do país.

A garantia foi avançada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros de Ruanda, que afastou os cenários de abandono da missão militar ruandesa, considerada uma das principais forças no apoio ao combate aos grupos armados que actuam na região desde 2017.

Segundo Kigali, a partir deste ano o financiamento das operações das tropas ruandesas passou a ser tratado directamente entre os Governos de Moçambique e Ruanda, deixando de depender de mecanismos externos. A posição foi divulgada através da rede social X, antigo Twitter, onde o chefe da diplomacia ruandesa afirmou que Maputo “garantiu e continuará a garantir” os recursos necessários para sustentar as operações militares em Cabo Delgado.

A declaração surge meses depois de relatos internacionais indicarem que a União Europeia poderia suspender o apoio financeiro à missão ruandesa, situação que alimentou especulações sobre uma eventual retirada das tropas destacadas no teatro operacional.

Em Março, autoridades ruandesas já haviam admitido rever a permanência do contingente caso não fossem asseguradas novas fontes de financiamento. As informações ganharam força após uma publicação da agência Bloomberg referir que Bruxelas não pretendia renovar o pacote de apoio anteriormente canalizado para as operações.

Apesar da nova garantia, continuam por esclarecer os valores envolvidos no acordo financeiro e o período exacto que o novo modelo de cooperação irá cobrir. Até ao momento, o Governo moçambicano ainda não comentou oficialmente as declarações das autoridades ruandesas.

As forças de Ruanda foram destacadas para Cabo Delgado em 2021, após um pedido do Estado moçambicano, numa fase em que os ataques armados ameaçavam importantes zonas estratégicas, incluindo áreas ligadas aos megaprojectos de gás natural. Desde então, Kigali tem desempenhado um papel central na recuperação de distritos antes dominados pelos insurgentes.

Os detalhes do acordo militar entre os dois países, incluindo cláusulas financeiras e operacionais, continuam, no entanto, longe do conhecimento público.

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