Maputo (O Destaque) — Um grupo de médicos estagiários da Universidade Zambeze iniciou esta segunda-feira uma paralisação acompanhada de protestos em Maputo, exigindo o pagamento de subsídios de estágio em atraso há cerca de dez meses. Afectos ao Hospital Central da Beira, os jovens profissionais denunciam igualmente a falta de condições básicas de trabalho, incluindo escassez de material médico-cirúrgico.
Os manifestantes deslocaram-se à capital do país para apresentar as suas reivindicações junto do Ministério da Saúde (MISAU), depois de, segundo relatam, não terem obtido respostas satisfatórias a nível provincial. Esta é a segunda vez que recorrem à pressão directa, após uma acção semelhante realizada em fevereiro do ano passado, centrada na sua integração formal.
De acordo com os estagiários, os contractos foram assinados em junho de 2025, mas, desde então, nenhum pagamento foi efetuado. “Estamos há dez meses a trabalhar sem receber qualquer remuneração”, afirmou um dos porta-vozes, sublinhando o impacto da situação na subsistência dos estudantes.
Os grevistas referem ainda que, apesar de terem sido informados sobre a transferência de fundos para liquidar a dívida, o pagamento não se concretizou.
Alegam também tratamento desigual, apontando que estudantes de outras instituições já terão recebido os seus subsídios.
Para além da questão salarial, os estagiários descrevem um cenário de fragilidade no local de estágio. A falta de equipamentos de protecção e de consumíveis essenciais, como luvas, tem condicionado o exercício das suas funções e levantado preocupações quanto à segurança de profissionais e pacientes.
