Governo diz ainda haver “sérios problemas” no INATRO

Maputo (O Destaque) – O Governo reconheceu publicamente a persistência de falhas graves e estruturais na gestão e no funcionamento do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO). O pronunciamento oficial foi feito pelo porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, durante o habitual briefing à imprensa realizado logo após a mais recente sessão do Conselho de Ministros, esta terça-feira (26).

Com um discurso realista e sem rodeios, o responsável quebrou o silêncio sobre a crise que afecta a instituição e confirmou o cenário de frustração vivido diariamente pelos cidadãos que dependem dos serviços rodoviários no país. Ao abordar a situação da entidade reguladora, Inocêncio Impissa assumiu de forma clara que o Executivo está ciente das debilidades operacionais que geram indignação popular, sublinhando que ainda existem problemas sérios de delivery ou de entrega de cartas de condução com a qualidade que se pretende.

O porta-voz lamentou abertamente o facto de a emissão e a entrega destes documentos vitais continuarem num ritmo penoso e inaceitável para os padrões públicos, desabafando que esse processo não acontece em vinte ou trinta dias, expondo uma realidade dramática de atrasos cronificados que prejudicam milhares de automobilistas moçambicanos.

Apesar de expor as fragilidades, o porta-voz do Governo fez questão de contextualizar que este cenário caótico continua a motivar uma intervenção profunda por parte do Ministério dos Transportes e Logística.

De acordo com as explicações detalhadas de Impissa, a necessidade de reestruturação urgente da entidade resulta directamente de um conjunto de auditorias internas feitas à actividade da instituição, cujos resultados forçaram o Governo a agir nos bastidores.

O porta-voz garantiu que o ministro da área está a fazer o seu papel e a desempenhar o seu trabalho, contando com o suporte natural de todo o Executivo para tentar estancar a crise reputacional e operacional que se instalou na instituição.

Para além do problema crónico da demora na entrega de cartas, Inocêncio Impissa revelou que a reforma em curso no INATRO mexe com feridas antigas, abrangendo tanto a componente estrutural quanto a gestão interna do pessoal. O governante detalhou que o plano de salvação institucional inclui a implementação de sistemas tecnológicos ajustados e adequados à real procura do mercado, bem como um exercício rigoroso de gestão dos recursos humanos para garantir que fiquem na instituição apenas as pessoas efectivamente necessárias e genuinamente viradas ao serviço público.

Ao concluir a sua intervenção, o porta-voz reiterou que a reforma é um processo contínuo e regular, mas assegurou que já há passos muito bem garantidos para que o INATRO funcione bem e se transforme, definitivamente, numa instituição virada para o cidadão.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *