Ébola sob pressão de guerra: OMS pede cessar-fogo urgente para salvar vidas na RDC

Maputo (O Destaque & Agências Internacionais) — A visita do director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, à República Democrática do Congo surge num momento crítico, em que o país enfrenta um novo e preocupante surto de ébola, agravado pela instabilidade armada no leste do território.

Durante a deslocação, Tedros apelou a um cessar-fogo imediato entre os grupos em conflito, defendendo que a violência está a dificultar os esforços de combate à doença e a colocar milhares de vidas em risco. “Juntos, vamos ultrapassar este surto”, declarou o responsável máximo da OMS, garantindo que tanto a organização como a ONU continuarão a apoiar as autoridades congolesas.

O actual surto é provocado pela estirpe Bundibugyo do vírus do ébola, para a qual ainda não existe vacina nem tratamento específico disponível. Segundo dados da OMS, já foram registadas cerca de 220 mortes e mais de 900 casos suspeitos, números que podem ser ainda maiores devido à possibilidade de o vírus ter circulado silenciosamente durante algum tempo.

A situação tornou-se ainda mais delicada após o alastramento de casos suspeitos ao vizinho Uganda, que decidiu encerrar temporariamente a fronteira com a RDC. Contudo, a OMS alertou que restrições de viagem podem não ser eficazes e até contribuir para uma maior propagação da doença.

O pico do surto localiza-se numa região marcada por décadas de confrontos armados, disputas por recursos minerais e deslocações forçadas de populações. Para Tedros, esta realidade representa um dos maiores obstáculos no combate ao ébola.

Mesmo que seja breve, peço às partes em conflito que permitam a passagem segura dos profissionais de saúde”, apelou o dirigente da OMS, dirigindo-se diretamente aos grupos armados e às comunidades afetadas.

Enquanto isso, cresce a corrida científica para encontrar soluções contra a variante Bundibugyo. O diretor dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças, Jean Kaseya, afirmou que África poderá ter uma vacina e medicamentos contra esta estirpe até ao final de 2026.

Segundo Kaseya, os líderes africanos já demonstraram disponibilidade para investir financeiramente e reforçar os esforços técnicos e estratégicos para acelerar o desenvolvimento de respostas eficazes à doença.

Este é o 17.º surto de ébola registado na RDC, um país que continua a enfrentar enormes desafios humanitários e sanitários, num contexto onde a insegurança e os conflitos armados dificultam o acesso rápido aos cuidados de saúde e às comunidades afetadas.

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