Daniel Chapo e homólogo português assinam pacto para o aprofundamento de relações. Analistas elogiam

Maputo (O Destaque) – O Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, defendeu que chegou o momento de Moçambique e Portugal concentrarem os seus esforços numa cooperação económica e comercial orientada para resultados, deixando para trás os constrangimentos do passado e apostando numa parceria estratégica capaz de gerar desenvolvimento para ambos os países.

Durante uma conversa em tom descontraído com o Presidente de Portugal, António José Seguro, no EurAfrican Forum, realizado em Carcavelos, Chapo afirmou que as relações históricas entre os dois Estados devem traduzir-se em investimentos concretos e benefícios económicos.

Temos de focar-nos na cooperação económica e comercial virada para resultados e transformar as relações comerciais em parcerias estratégicas”, defendeu o Chefe de Estado..

Na ocasião, Daniel Chapo convidou os empresários portugueses a reforçarem os investimentos em Moçambique, destacando oportunidades nos sectores da agricultura, turismo, energia e recursos minerais. Segundo o Presidente, este é o momento ideal para os investidores se posicionarem antes da implementação dos grandes projectos económicos previstos para o país.

Por sua vez, António José Seguro conduziu o diálogo destacando a importância de uma relação baseada na confiança, na amizade e na cooperação histórica entre os dois povos, num ambiente marcado pela cordialidade e abertura entre os dois Chefes de Estado.

Durante o encontro, Chapo agradeceu ainda o apoio de Portugal em diversas áreas, incluindo o combate ao terrorismo em Cabo Delgado e a assistência prestada às populações afectadas pelas cheias e ciclones, defendendo igualmente a necessidade de construir infra-estruturas mais resilientes às mudanças climáticas.

Analistas elogiam postura do Chefe de Estado

O jurista e professor universitário Roberto Aleluia considerou que o discurso de Daniel Chapo reflecte uma visão estratégica da política externa.

Segundo o académico, ao defender que os dois países devem “esquecer o passado” e privilegiar uma cooperação virada para o futuro, o Presidente demonstrou alinhamento com os princípios constitucionais de neutralidade e cooperação internacional de Moçambique.

Para Roberto Aleluia, Portugal continua a ser um parceiro privilegiado, tanto pela ligação histórica como pelo seu papel de porta de entrada para o mercado europeu, defendendo que o fortalecimento das relações bilaterais poderá contribuir para a criação de emprego e para a independência económica de Moçambique.

Já o comentador Mauro dos Santos da Silva entende que o litígio fiscal envolvendo a petrolífera portuguesa Galp não deverá afectar as relações entre Maputo e Lisboa.

Na sua leitura, eventuais divergências devem ser resolvidas pelas instituições competentes e pelos mecanismos jurídicos previstos nos contratos, preservando o bom relacionamento diplomático entre os dois Estados.

O diferendo deve seguir o seu curso normal nas instâncias competentes e não compromete a qualidade das relações entre Moçambique e Portugal”, defendeu o comentador.

A conversa entre Daniel Chapo e António José Seguro marcou um dos momentos centrais da visita oficial do Presidente a Portugal, reforçando a intenção de ambos os países em aprofundar uma parceria cada vez mais orientada para o investimento, o comércio e o desenvolvimento sustentável.

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