Maputo (O Destaque) — A vaga de ataques xenófobos na África do Sul ceifou, tragicamente, a vida de nove cidadãos moçambicanos. A confirmação foi feita esta terça-feira pelo Conselho de Ministros, na sequência dos episódios de violência que têm assolado, desde a última sexta-feira, a cidade de Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental.
O Governo moçambicano, em conferência de imprensa após a sua quinta sessão ordinária, detalhou que, dos nove óbitos registados, cinco vítimas foram assassinadas, duas faleceram na sequência de atropelamentos durante a fuga dos agressores e as restantes duas morreram num acidente de viação enquanto tentavam regressar a Moçambique em viatura particular.
“É com profunda consternação que lamentamos a perda destes nove compatriotas”, declarou a porta-voz do Conselho de Ministros, endereçando sentidas condolências às famílias enlutadas.
Perante a escalada da violência, o Executivo constituiu de imediato uma equipa multissectorial para coordenar a resposta, envolvendo o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), o Serviço Nacional de Migração (SENAMI) e os postos consulares na África do Sul.
Equipas técnicas foram destacadas para a fronteira de Ressano Garcia para assegurar o acolhimento e o encaminhamento dos cidadãos que regressam ao país. O processo de repatriamento conta com a colaboração das autoridades sul-africanas, que disponibilizaram autocarros e meios logísticos para o transporte das vítimas.
Até ao momento, 399 compatriotas manifestaram, junto ao consulado em Durban, o desejo de regressar a solo pátrio. Numa primeira fase, o Governo projecta o repatriamento de cerca de mil cidadãos. Estima-se que 884 moçambicanos, maioritariamente oriundos da província e cidade de Maputo, tenham sido afectados pelos ataques e encontram-se, temporariamente, alojados em centros comunitários.
À chegada à fronteira de Ressano Garcia, os repatriados receberão assistência humanitária, incluindo kits alimentares compostos por produtos de primeira necessidade para um período de 10 dias.
