Casos de AVC sobem em Nampula e médicos culpam energéticos e estimulantes sexuais

Nampula (O Destaque) O Acidente Vascular Cerebral (AVC) continua a bater à porta do HCN com uma força crescente. Mesmo com uma ligeira redução no número de óbitos nos primeiros cinco meses de 2026, o número de casos da doença registou uma subida, deixando os especialistas seriamente preocupados com novos factores de risco: drogas ilícitas, estimulantes sexuais sem receita médica, anabolizantes e até o consumo desregrado de bebidas energéticas.

Os dados foram revelados nesta terça-feira (02) pelo médico neurologista, Dr. Frederico Sebastião, durante uma conferência de imprensa de sensibilização que teve lugar no Hospital Central de Nampula (HCN).

Os dados estatísticos apresentados pelo especialista mostram uma tendência linear de subida no internamento de pacientes:

  • 2024: 184 casos e 14 óbitos.
  • 2025: 214 casos e 28 óbitos.
  • 2026: 223 casos e 23 óbitos.

Mais pessoas estão a contrair a doença, embora se registe uma ligeira redução na taxa de mortalidade hospitalar em comparação com o ano passado.

Embora a hipertensão arterial se mantenha como o principal gatilho do AVC, o neurologista alertou para um novo e preocupante cenário social: o consumo de substâncias que antes não estavam no radar das causas directas de patologias cardiovasculares na região.

As drogas ilícitas, os estimulantes sexuais sem prescrição médica, os anabolizantes e as bebidas energéticas podem provocar alterações cardiovasculares graves, favorecendo o aparecimento de AVC, quer seja isquémico, quer seja hemorrágico”, advertiu o Dr. Frederico Sebastião.

Ao lado destes novos elementos, os factores de risco tradicionais continuam na linha da frente:

  • Diabetes mellitus e doenças cardíacas;
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas e tabagismo;
  • Obesidade e níveis elevados de colesterol (dislipidemia).

O clínico deixou também uma recomendação especial para a estação que agora se faz sentir: “é imperativo controlar rigorosamente a pressão arterial, sobretudo durante o inverno”, recomendou, aludindo ao facto de as baixas temperaturas propiciarem a vasoconstrição.

Como caminhos para a prevenção, o especialista aconselhou:

  1. A prática regular de actividade física e o combate cerrado à obesidade;
  2. A moderação no consumo de álcool e a cessação tabágica;
  3. A adopção de hábitos alimentares saudáveis, reduzindo drasticamente o sal e as gorduras, privilegiando-se os alimentos cozidos ou assados.

O neurologista fez questão de sublinhar um detalhe clínico crucial: a elevada sensibilidade da população de raça negra ao consumo excessivo de sal, um traço biológico que acelera e agrava o quadro de hipertensão arterial quando associado a uma dieta inadequada.

A fechar a sua intervenção, o Dr. Frederico Sebastião lançou um apelo directo à responsabilidade individual: “A população deve realizar medições regulares da tensão arterial nas unidades sanitárias ou farmácias e procurar acompanhamento médico contínuo. A prevenção continua a ser a nossa principal arma para travar o AVC.”

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