Tia e sobrinha na cadeia: rede de “nhongas” desvia 230 mil meticais de vítima em negócio de terreno falso na Beira

Maputo (O Destaque) — O sonho de adquirir uma parcela no bairro do Estoril transformou-se num pesadelo que custou 230 mil meticais à vítima. O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) em Sofala desmantelou uma rede especializada em burlas de terrenos, detendo três indivíduos envolvidos num esquema que operava com propriedades fictícias.

Entre os detidos estão duas mulheres, de 46 e 58 anos (tia e sobrinha), e um homem de 44 anos, que actuava como intermediário. O grupo foi capturado em flagrante quando tentava extorquir a última prestação, no valor de 20 mil meticais, a um cidadão que já tinha desembolsado 230 mil meticais fruto de três anos de poupanças.

O modus operandi era meticuloso. As duas mulheres passavam-se por proprietárias do terreno. A tia, de 58 anos, confessou ter aceite participar no ilícito a pedido da sobrinha, que detinha a documentação de identificação. Pela sua colaboração, recebeu 32 mil meticais. “Agir de má-fé, impulsionada pela necessidade financeira”, admitiu.

A sobrinha, de 46 anos, também confirmou a sua participação por dificuldades económicas, tendo auferido o mesmo valor. O intermediário, que facilitava o contacto, embolsou 30 mil meticais pela sua actuação na fraude.

A burla começou numa rede social. A vítima, residente na Beira, contactou os supostos vendedores após visualizar um anúncio no Facebook. Realizou dois pagamentos iniciais de 150 mil e 80 mil meticais. As suspeitas surgiram quando, ao preparar o pagamento final, deparou-se com o mesmo terreno a ser anunciado novamente. Foi este o alerta que levou a vítima a denunciar o caso ao SERNIC, no passado dia 6 de Maio.

A rede criminosa é composta por cinco indivíduos; dois permanecem a monte  um que se fazia passar por técnico municipal e outro por secretário do bairro. O SERNIC prossegue com as diligências para a sua localização.

O porta-voz do SERNIC em Sofala, Alfeu Sitoe, explicou que o grupo utiliza identidades falsas e chega a exibir residências de terceiros como sendo suas para ludibriar compradores. “Sempre que pretendam adquirir terrenos, recorram às instituições competentes para confirmar a autenticidade da documentação”, alertou Sitoe.

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