Maputo (O Destaque) – Dom Osório Citora Afonso, homem que tinha o dom de pregar a palavra de Deus, foi assassinado no último sábado, na cidade de Quelimane, de forma fria e brutal, atingido por disparos de uma AK-47 que lhe tiraram a vida dentro da sua própria residência. O crime, que chocou a Igreja Católica e a sociedade Cristã, motivou duras reações, entre elas a do pastor e analista social Hedson Massingue, que chegou a afirmar que “o Estado é quem automaticamente assassinou o bispo”.
Consternado, Massingue lamentou a morte do prelado e disse que Moçambique atravessa um momento preocupante, em que assassinatos passaram a fazer parte do quotidiano nacional.
O pastor afirmou que o assassinato de um bispo representa um nível alarmante de degradação moral da sociedade, argumentando que já não existe temor nem respeito pelas instituições religiosas.
“Chegámos ao ponto de matar pessoas que servem a Deus. Não é um simples cidadão. É um servo de Deus, uma figura influente na Igreja Católica. Isso mostra até que ponto deixámos de ter medo das coisas sãs”, afirmou.
Um dos aspectos destacados por Hedson Massingue foi o facto de o crime ter ocorrido numa zona considerada segura da cidade de Quelimane, próxima de estruturas policiais. Para ele, a ousadia dos assassinos levanta sérias dúvidas sobre as circunstâncias da execução.
“Os malfeitores não tiveram receio de penetrar na residência e eliminá-lo de forma silenciosa. Estamos a falar de uma área estrategicamente protegida”, observou.
Massingue foi mais longe ao abordar a alegada utilização de uma arma do tipo AK-47, defendendo que este detalhe coloca uma responsabilidade directa sobre o Estado.
“Uma AK-47 é uma arma de guerra. É uma arma do Estado. Não é qualquer cidadão que tem acesso a uma arma daquele calibre. Logo, o Estado deve assumir a responsabilidade de esclarecer este crime”, disse.
Massingue sustentou ainda que a forma como o bispo foi morto aponta para a actuação de alguém experiente e preparado para executar a missão.
“Não é qualquer pessoa que pode entrar na residência de um alto membro da Igreja e assassiná-lo sem receio. Há aqui sinais de que quem executou esta acção sabia exatamente o que estava a fazer”, afirmou.
Segundo o pastor, o homicídio poderá ter consequências para a imagem internacional de Moçambique, sobretudo pelo peso institucional da Igreja Católica e das ligações ao Vaticano.
“O Vaticano é um Estado. Estamos perante uma vergonha para Moçambique. O país já enfrenta problemas de credibilidade e este caso apenas agrava a situação”, declarou.
Hedson Massingue criticou ainda o silêncio das autoridades e defendeu uma intervenção rápida das instituições competentes, incluindo a Presidência da República, o Ministério do Interior, a Procuradoria-Geral da República e os órgãos de investigação criminal.
Nas suas últimas considerações, apelou à Igreja para que abandone o silêncio e assuma uma posição firme em defesa dos seus membros.
“A Igreja deve levantar-se e dizer que basta. Invadir a residência de um bispo e assassiná-lo é atingir toda a Igreja. Não podemos permitir que isto seja normalizado”, concluiu.
A morte de Dom Osório Citora Afonso continua a provocar consternação em vários sectores da sociedade, enquanto cresce a expectativa em torno do esclarecimento de um crime que abalou profundamente Quelimane e o país.
