A Ministra da Educação e Cultura diz que a admissão de candidatos com notas consideradas insuficientes pode compremeter a qualidade da formação. O tema ganhou destaque durante uma reunião sobre a validação de qualificações do ensino superior, realizada nesta quinta-feira(27) na cidade de Maputo
A situação levanta interrogações sobre os critérios de acesso a algumas instituições públicas. Há relatos de candidatos que ingressaram em cursos de licenciatura com desempenhos académicos modestos, a título de exemplo: o que houve na Universidade Lúrio, onde um candidato foi admitido para o curso de Administração e Gestão em Saúde com apenas 3.5 valores e outro em Enfermagem com 6.4 (num sistema de avaliação onde a aprovação geralmente exige uma nota superior que parte de 10.
“A qualidade do nosso ensino superior está em jogo quando permitimos a entrada de alunos com níveis de aproveitamento tão baixos”, afirmou, referindo-se a exemplos citados. um futuro arquitecto com 6.4 ou um profissional de saúde com a mesma nota. “Não estamos a priorizar a excelência, e isso inevitavelmente levará a deficiências na formação, dificultando o desenvolvimento das competências necessárias para uma actuação profissional eficaz.”
Perante este quadro, a ministra defende uma mudança de rumo, preconizando a definição de uma nota mínima obrigatória para o acesso ao ensino superior. Esta medida, acredita Tovela, será fundamental para assegurar um padrão de qualidade entre os graduados. “O princípio que orientou as admissões não previa que a nota mais alta pudesse ser negativa. Teremos que discutir com as instituições de ensino superior para estabelecer um critério uniforme. A admissão não pode ser balizada pela nota mais alta positiva, como um 10, por exemplo”, defendeu.
A reunião em que a titular da educação abordou este tema tinha como foco a harmonização das qualificações do ensino superior no âmbito da SADC. Um dos objetivos é unificar a nomenclatura e as competências de cursos similares, como na área da informática, onde designações como Tecnologias de Informação, Engenharia Informática e Engenharia de Software convergirão para a designação “Ciências da Computação”. Espera-se que este processo de validação contribua também para uma possível optimização da oferta de cursos no ensino superior.
