Face aos novos conflitos no Médio Oriente, Jaime Saia garante: “Moçambique não depende apenas do Estreito de Ormuz; há alternativas como a Índia”

Maputo (O Destaque) – O recrudescimento das tensões no Médio Oriente e as ameaças de novos ataques envolvendo os Estados Unidos e o Irão voltaram a levantar preocupações sobre os possíveis efeitos na economia mundial, sobretudo no mercado petrolífero. Em Moçambique, o debate centra-se nos riscos de uma eventual subida dos combustíveis e dos custos de transporte.

Em entrevista ao Jornal O Destaque, o analista Jaime Saia considerou que, embora o Estreito de Ormuz seja uma das mais importantes rotas de transporte de petróleo do mundo, Moçambique não depende exclusivamente daquela passagem para garantir o abastecimento de combustíveis.

Segundo o especialista, o país possui alternativas de importação, incluindo mercados como a Índia, o que pode reduzir os impactos directos caso a situação na região se agrave. Contudo, alertou que uma eventual interrupção prolongada das operações no Estreito de Ormuz poderá provocar perturbações nos mercados internacionais e influenciar os preços dos combustíveis a nível global.

O analista recordou que, em momentos anteriores de tensão envolvendo o Irão, Moçambique registou aumentos nos preços dos combustíveis, situação que acabou por afectar directamente o custo de vida da população.

Para Jaime Saia, a actual conjuntura exige que o Governo adopte estratégias preventivas para minimizar os efeitos de uma possível crise internacional. Defendeu ainda que a situação não deve ser encarada como um problema isolado de Moçambique, uma vez que vários países dependentes das rotas comerciais do Médio Oriente enfrentam preocupações semelhantes.

Durante a entrevista, o analista manifestou preocupação com as informações que circulam sobre uma eventual subida dos combustíveis no país. Embora tenha esclarecido que não existem confirmações oficiais nesse sentido, advertiu que qualquer aumento teria consequências significativas para os transportadores e para os cidadãos em geral.

Na sua avaliação, o encarecimento dos combustíveis acabaria por pressionar os operadores de transporte a reverem as tarifas, agravando os custos de deslocação e afectando o poder de compra das famílias moçambicanas.

Jaime Saia defendeu igualmente que o Executivo deve evitar que eventuais crises internacionais sejam utilizadas como justificação para aumentos excessivos dos preços internos. Para o analista, a prioridade deve ser a protecção dos cidadãos, sobretudo numa altura em que grande parte da população enfrenta dificuldades económicas.

O especialista apelou ainda ao Governo para diversificar as fontes de abastecimento de petróleo e avaliar mecanismos capazes de reduzir o impacto de eventuais aumentos dos preços internacionais sobre os consumidores nacionais.

As preocupações surgem numa altura em que os mercados globais acompanham com atenção a evolução dos acontecimentos no Médio Oriente, região considerada estratégica para o fornecimento mundial de petróleo e de diversos outros produtos essenciais.

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