Maputo (O Destaque) — A LAM está refém de uma profunda rede de sabotagem. Pelo menos esse é o entendimento de Hedson Massinga, analista permanente de política e sociedade, no Jornal Destaque. Massinga fala da “companhia de bandeira”, numa altura em que a empresa anda na boca do povo.
Em declarações exclusivas à nossa reportagem, Massinga lança um apelo urgente ao Presidente da República: “é necessário manter a vigilância redobrada sobre a comissão de gestão, sob pena de a corrupção estrutural vencer a batalha pela reestruturação da empresa”, diz o analista, que comenta sobre a empresa, numa altura em que muito dela se fala.
Para Massinga, o Presidente da República não pode recuar perante a sua grande intenção de ver a companhia aérea. “Manter a actual direcção da comissão de gestão é fundamental. Se o Governo optar por ceder à pressão, dará um sinal de fragilidade, como se a batalha que o Presidente carregou nas costas tivesse sido em vão”, defende o analista.
O cenário pintado por Massinga é o de uma autêntica “guerra” dentro da companhia. As “raposas” como descreve os elementos ligados a circuitos ocultos estão a usar métodos pouco ortodoxos para desmoralizar os gestores. A sabotagem técnica, incluindo a colocação de aviões fora de serviço de forma deliberada, faz parte da estratégia para criar uma narrativa de incompetência contra a nova equipa de gestão.
O analista vai longe e afirma que os problemas recorrentes com os dois aviões Embraer Q400 não são coincidência. “É preciso deixar claro: os aviões foram sabotados para dar a entender que os actuais gestores são também lobistas e não entendem nada de gestão. Querem criar narrativas para que eles sejam vistos como lobos e não como ovelhas”, explica.
Sobre o futuro da LAM, a visão de Massinga é de um desabafo sobre o desgaste moral que a corrupção trouxe à empresa. Ao recordar que a companhia é um símbolo nacional, ele apela a uma mudança de postura que respeite a autoridade do Estado.
“Já deixamos de ser humanos quando, em países normais, as ordens do Comandante-em-Chefe são de cumprimento obrigatório, mas aqui o que se assiste é um desrespeito total ao garante da legalidade”, conclui.
Para Massinga, a “cura” da LAM exige que o Governo não olhe apenas para o lado técnico, mas que entenda que está a enfrentar um sistema que se auto-protege, onde a experiência de anos é, muitas vezes, apenas o disfarce para um esquema de lucros que os moçambicanos não podem mais suportar.
