Livro de Arnaldo Ângelo Sondiua esgota primeira edição e ganha novo “fôlego”

Niassa (O Destaque) – Arnaldo Ângelo Sondiua vê a primeira edição da sua obra esgotar em poucas semanas e prepara novos lançamentos pelo país

O autor literário Arnaldo Ângelo Sondiua está a levar a sua obra para diferentes pontos do país, depois de a primeira edição, composta por 300 exemplares, ter esgotado após uma série de lançamentos em várias regiões de Moçambique.

A obra, lançada inicialmente no ano passado, começou o seu percurso em Mandimba, distrito onde o autor nasceu, seguindo depois para Nampula, Ilha de Moçambique e Nacala. Segundo Sindiua, a procura pelo livro acabou por superar as expectativas, levando ao lançamento de uma segunda edição.

Por causa da pressão dos caros leitores, alguns que já tinham pago, que é o pré-pago, e não tinham acesso ao livro, fui obrigado a tirar aqui a segunda edição”, explicou.

A nova edição surge com algumas alterações, entre elas o acréscimo de textos poéticos e a remodelação da capa. O percurso de apresentação da obra continuou pela província de Cabo Delgado, Ilha de Moçambique e Nampula, contando com parcerias de instituições e entidades locais.

Para Sondiua, a passagem pela Ilha de Moçambique tem um significado especial. O autor considera aquele espaço um lugar histórico e acredita que os lançamentos podem incentivar estudantes e a sociedade em geral a escrever e publicar.

“Lá é o celeiro da nossa história”, afirmou, defendendo que existe naquele território muita matéria que precisa de ser contada e recontada.

O autor já tem novos lançamentos em preparação. A agenda prevê uma apresentação em Cuamba, no dia 24 de Setembro, seguida de outra em Lichinga, no dia 30 do mesmo mês. Para Outubro, está prevista a apresentação da obra na província de Tete, inicialmente na cidade, podendo posteriormente estender-se a alguns distritos.

Sindiua reconhece, contudo, que a procura pelo livro tem sido elevada e admite que o número de locais a visitar poderá depender da disponibilidade dos exemplares.

Uma obra para provocar reflexão

Mais do que entreter, Arnaldo Sondiua pretende que a obra provoque reflexão sobre a identidade, ay e a convivência social.

O primeiro elemento que o autor deseja despertar no leitor é a reflexão sobre a própria identidade. Para Sondiua, é necessário que cada pessoa saiba quem é e valorize aquilo que a caracteriza, sem precisar de ignorar outras culturas.

“Se eu for como eles, quem será como eu?”, questiona, numa das reflexões que apresenta como fundamentais para a compreensão da sua obra.

A segunda dimensão é a promoção cultural. O escritor defende a valorização das paisagens, línguas e manifestações culturais moçambicanas, apontando como exemplos as línguas EMakhuwa, Nyanja e Ci-Yao, bem como diferentes lugares e patrimónios do país.

A terceira reflexão está ligada à convivência social e à relação entre o “eu” e o “outro”. Sondiua recorre ao princípio socrático “Conhece-te a ti mesmo” para defender que o conhecimento de si é também uma condição para compreender e respeitar os outros.

O autor manifesta ainda preocupação com o impacto da tecnologia nas relações humanas. Na sua leitura, embora o telemóvel e o computador tenham aproximado as pessoas através da comunicação, também podem contribuir para o afastamento da convivência presencial.

É neste cruzamento entre identidade, cultura e relações humanas que Sondiua constrói a proposta da sua obra, escrita, segundo o próprio, numa linguagem simples e acessível a diferentes gerações, da infância à idade adulta.

Com a primeira edição já esgotada e uma segunda edição em circulação, o autor pretende continuar a levar a obra a diferentes pontos do país, procurando transformar cada lançamento não apenas num momento de apresentação literária, mas também numa oportunidade para incentivar a leitura, a escrita e a valorização da cultura nacional.

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