Mecula sob pressão: fauna bravia mata quatro e invade 49 machambas

Niassa (O Destaque) – O conflito entre comunidades e animais bravios continua a colocar vidas humanas e a produção agrícola em risco no distrito de Mecula, na província do Niassa, onde quatro pessoas morreram e outras sete ficaram feridas desde o início da Campanha Agrária 2025/2026 até Setembro de 2026.

Os dados foram revelados pelo administrador de Mecula, José Augusto Sulmide, em entrevista ao Moçambique Bio, apontando o conflito homem-fauna bravia como um dos principais desafios enfrentados pelas comunidades que vivem e produzem nas proximidades da Reserva Especial do Niassa.

Das quatro mortes registadas, uma ocorreu na sequência de um ataque de elefante, na localidade de Mecula-Sede; outra foi provocada por uma serpente, no povoado de Chamba, Posto Administrativo de Matondovela; enquanto duas pessoas morreram após ataques de búfalos, no povoado de Manhur, na localidade de Lugenda.

Além das vítimas mortais, sete pessoas ficaram feridas em diferentes incidentes. Entre os casos estão uma pessoa picada por uma serpente no Bairro 1, na sede do distrito; um menor ferido por um macaco no Bairro 2; uma pessoa atacada por um búfalo na localidade de Mbamba; e três pessoas feridas em Lugenda, incluindo duas vítimas de ataques de crocodilos e uma menor atacada por um macaco.

Machambas também estão na linha de conflito

A presença de animais bravios não tem afectado apenas a segurança das comunidades. A produção agrícola também está a sofrer os efeitos da aproximação da fauna.

Segundo dados da Administração de Mecula, 49 machambas foram invadidas por animais, entre elefantes, búfalos, hipopótamos, porcos-bravos e macacos.

As incursões destruíram cerca de 14,2 hectares de áreas agrícolas, provocando perdas para famílias cuja sobrevivência depende, em grande medida, da agricultura.

Perante os ataques, as autoridades recorreram também ao abate de animais considerados problemáticos. Dois búfalos foram abatidos, um em Manhur, na localidade de Lugenda, e outro no povoado de Macalange, em Mecula-Sede. Um elefante foi igualmente abatido na localidade de Lugenda.

Os números colocam em evidência a dimensão do desafio enfrentado pelas comunidades de Mecula: proteger vidas e culturas sem comprometer a conservação da fauna bravia numa das zonas de maior importância para a biodiversidade de Moçambique.

A situação reforça a necessidade de medidas de prevenção e resposta rápida aos chamados animais problemáticos, incluindo sistemas de alerta comunitário, monitoria da movimentação da fauna e mecanismos de protecção das machambas.

Em Mecula, o desafio é encontrar um equilíbrio entre a segurança das comunidades, a produção agrícola e a conservação da vida selvagem.

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